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Mostrando postagens com o rótulo racismo

O grito libertador de Cau Gomez

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O desenho acima, de Cau Gomez , é um dos seus cartuns nada cordiais que denunciam o racismo e o patriarcado violentos e estruturais de nossa sociedade. Ele foi publicado em todo o Brasil numa das investidas no Congresso da bancada do Boi, Bíblia, Bala e Brancos contra o direito legal de meninas estupradas interromperem a gravidez resultante da violência. Acabo de receber seu livro “ Sorria, você está sendo... ” com este e dezenas de outros cartuns impactantes e uma dedicatória amorosa, pois somos amigos desde quando Cau era um jovem iniciante nesta arte na qual ele se tornou um mestre.   Cau é um cartunista que utiliza sua pintura como dinamite e as heranças da escravidão negra como a alma de seu trabalho. Cada página de seu livro é lançada com a maior força gráfica possível contra os múltiplos pilares de uma sociedade patriarcal violenta supremacista branca capitalista e imperialista. Humor é uma forma de resistência. O humor de Cau é libertação identitária das correntes...

Quem matou Cristóvão?

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Um policial carioca, em férias, mas armado, bebendo num bar, matou o Cristóvão, um homem negro e morador de rua há décadas, conhecido por todos nós do bairro Itapoã em Belo Horizonte, uma pessoa gentil e sorridente, que apesar da própria miséria cuidava de dois cães abandonados. Não sei quais motivos levaram Cristóvão para as ruas, mas o conheço desde quando morou por anos dentro do Parque Lagoa do Nado, onde construiu uma maloca com galhos e símbolos religiosos em que vivia com seus vira-latas, dóceis, como ele. Muitos de nós oferecíamos alimentos, algum dinheiro e roupas para o Cristóvão, apesar de ele nunca pedir. Não sei o que aconteceu no bar, mas não consigo imaginar qualquer justificativa para alguém atirar num morador de rua desarmado e frágil. Ainda não sei o nome do tal policial que atirou e fugiu. Disseram que os dois vira-latas, novamente abandonados, continuaram zelando pelos pertences do Cristóvão depois que seu corpo foi levado. Os Cristóvãos e as pessoas vulne...

No dia Internacional da mulher, o trabalho doméstico continua sustentando o capitalismo

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  O texto abaixo é da Editora Elefante  Neste dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Elefante destaca a invisibilidade do trabalho doméstico e sua importância para a sustentação do capitalismo, com custos à vida das mulheres racializadas, periféricas e migrantes, sobretudo. Esse debate está presente em  Quem vai fazer essa comida? , novo livro de Bela Gil em pré-lançamento pela editora. "Se a gente sabe que uma comida fresca, caseira, diminui as chances de morte, a pergunta que fica é o título do meu livro:  Quem vai fazer essa comida? . E aí entra a questão do feminismo, que está diretamente relacionada à valorização do trabalho doméstico. Reconhecer esse trabalho é um caminho para que a alimentação saudável seja realmente uma possibilidade de escolha", explica Bela Gil em  entrevista para a revista Marie Claire .  Foi a escritora Silvia Federici, intelectual militante de tradição feminista marxista autônoma, quem despertou esse olhar em Bela Gil, após...

Pela descriminalização de todas as drogas

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  Como nos alerta a própria capa deste do livro “ Um preço muito alto ” de Carl Hart, “não é sempre que lemos um livro que detona tudo que foi falado sobre drogas!” E olha que tive acesso à farmacologia de muitas delas e me julgava liberal e bem informado! Carl Hart nos fala sobre sua vida, um jovem que tinha grandes probabilidades de ser mais um homem negro capturado nas armadilhas do racismo e se tornou um neurocientista especializado em drogas numa das principais universidades norte-americanas. Ele mostra o papel dos acasos que o conduziram por trilhas diferentes de seus parentes e amigos. Este livro reorganizou minha visão sobre as drogas e definiu uma plataforma política para as drogas coerente com a ciência. Consistente com documentos científicos, Carl Hart recompõe as fronteiras da ciência (esgarçadas pelos tempos de opiniões e fake news) e apresenta justificativas racionais (políticas, econômicas, sociais, farmacológicas) para a descriminalização de todas as drogas (para q...

Serenidade revolucionária

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  Terminei de ler “ Mulheres, raça e classe ” da Angela Davis , a mundialmente conhecida intelectual feminista e comunista que escreve como fala: com serenidade revolucionária.  Angela recupera a história do racismo e das mulheres negras para demonstrar que estas condições fazem parte das engrenagens da formação da estrutura de classes na sociedade capitalista. Sua clareza e extensa documentação fazem-me sonhar com este livro ilustrado para jovens, para que mais pessoas pudessem compreender desde cedo a estrutura social desigual na qual vivemos. Entendemos melhor o mundo com o recurso das metáforas e das imagens , como chamou atenção Mary Hesse, e meus pensamentos surgem por meio de formas e desenhos. Então não resisti e comecei a fazer um esboço do que aprendi neste livro da Angela Davis. Ao ver a luta das mulheres, em especial das negras (e mais ainda das escravizadas), para manter a própria vida e gerar novas pessoas, tenho a forte percepção (quase tautológica , admito) de ...

Diário do Apocalipse

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Escrevo também para ouvir o que as pessoas pensam sobre. Assunto. Depois de ler meu texto sobre as amizades perdidas durante a vida por causa da divergência de opiniões , o amigo Nilo me contou que quando se aposentou e voltou para sua terra natal, onde vem reconstruindo uma fazenda da família, ele conheceu pessoas nas vizinhanças e estabeleceu algumas amizades. Empoderado pela sabedoria adquirida como cientista na universidade, tentava convencer os vizinhos sobre maneiras mais racionais de realizar algumas coisas que lhe pareciam equivocadas, especialmente na conservação da natureza. Depois de uns meses, um dos moradores disse: Seu Nilo, se o senhor quiser cortar muito reto, vai ficar sozinho aí. Outro amigo, o Nikolas, reagiu com solidariedade, propondo-se a tomar comigo uma cerveja para dissiparmos a solidão epidêmica. Receoso, ainda desacostumado ao fim da pandemia por decreto, disse-lhe que a cerveja seria bem-vinda quando vencêssemos os cinco cavaleiros do Apocalipse: a pandemia...

Duas histórias brasileiras

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Quebrei minha promessa de ler somente livros escritos por mulheres para conhecer dois autores novos em “O avesso da pele” e “Prisão domiciliar, sem tornozeleira”. Jefferson Tenório é escritor carioca experiente, agora premiado com o Jabuti de 2021, e Corélio M.S. é engenheiro de Minas Gerais, e está publicando pela primeira vez. Ambos estão na casa dos quarenta e na umbanda. Mas o que realmente os une é o resgate da memória de seus pais e a capacidade de tocarem em suas feridas mais dolorosas: o racismo e o autismo. No “O avesso da pele” de Jefferson Tenório somos levados a re-conhecer as ruas de Porto Alegre, desta vez andando do outro lado da calçada, aquela reservada aos que não possuem os privilégios da pele herdada dos europeus. Com ele aprendemos a ser constantemente parados, revistados e eventualmente mortos pelos policiais militares, porque nossa pele escura nos transforma automaticamente em criminosos em potencial. Com seu pai, professor, entramos esperançosos nas salas de aul...

Tiro ao negro

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Esta foto divulgada pelo governo Bolsonaro precisa ser compreendida: seria um homem, provavelmente branco, suficientemente rico para comprar um rifle com mira telescópica, defendendo um matagal pegando fogo, postado ali para afastar agentes do Ibama ou lavradores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra? Onde está o agricultor? Não há lavoura, não há alimentos à vista, não há terra preparada para ser semeada. Talvez haja covas preparadas fora do nosso campo de visão, não para sementes, mas destinadas a ocultar corpos de possíveis “invasores”. Esta foto, transformada em plataforma ideológica pela Secretaria de Comunicação da Presidência, atinge vários alvos. O primeiro deles, ideológico, é o fazendeiro branco, que se sente autorizado a matar seres humanos para proteger as terras que ocupa, muitas delas compradas de grileiros que invadem reservas florestais impulsionados pelo vale-tudo no campo proclamado pelo presidente genocida. A autorização institucional para a violência é o primeiro...

Do Cerrado à Antártica

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  Reproduzo abaixo o vídeo e em seguida o conteúdo de uma palestra que realizei no Simpósio da Semana Antártica da UFMG, a convite da professora doutora Michele Macedo Moraes, a quem agradeço porque a preparação para a mesa redonda permitiu-me rever minha trajetória científica na Fisiologia do Exercício. (Quem desejar uma cópia do texto em PDF com todas as ilustrações, basta enviar e-mail para rodrigues.loc@gmail.com ) Dedico ao meu irmão Ernesto Carneiro Rodrigues, que fez a cobertura jornalística, pelo jornal O Globo (1982), da primeira expedição brasileira à Antártica, o que se tornou minha primeira ligação afetiva com o continente. Ernesto é o autor de um documentário sobre a Antártica realizado recentemente: Introdução  Quais são e de onde vieram as perguntas científicas sobre a fisiologia do exercício que estão sendo estudadas na Antártica? Para responder a esta questão, preciso fazer um breve relato...

assassino racista policial considerado culpado!

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Pertencimento

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Depois de mais um dia de saudades das minhas pessoas queridas, que estão distantes pelo isolamento social por causa da pandemia, sentia-me com um vazio adicional no peito, com a percepção de certa ausência espalhada pela casa, como se esperasse a chegada de alguém, até que me dei conta: era a saudade de Bibiana e Belonísia! Ao anoitecer ao longo da última semana, havia me habituado a encontrá-las na leitura do romance Torto Arado, do autor baiano Itamar Vieira Junior, e suas histórias e personalidades haviam se tornado parte da minha vida e das conversas com Thalma, que lia o mesmo livro no kindle. Terminada a leitura há uns dias, motivados por esta saudade de Bibiana, Belonísia, Salu e a Santa Rita Pescadeira, algumas das personagens do Brasil profundo resgatado pelo autor, fomos ver sua entrevista no Roda Viva , que revela uma pessoa serena, esperançosa e coerente, com muito mais a nos dizer nos próximos livros que nos promete. Torto Arado, além de ser uma denúncia da exploração dos ...

Este é meu milésimo post

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Nos últimos seis anos, tentei cumprir a intenção da Betha, personagem da Now Sem Rumo [i] no primeiro post deste blog, em 19 de dezembro de 2014, que reproduzo acima, que era de mudar o mundo. Por mil vezes estive aqui postando desenhos, charges, textos ilustrados, falsa filosofia e falsos poemas e entrevistas com amigas e amigos. Estes posts tiveram cerca de 185 mil acessos, ou seja, a média de 185 visualizações por publicação, a maioria delas realizadas por amigas e amigos que ainda me levam a sério ou me acham um humorista. Tirando uns pequenos contratempos, como o aquecimento global, a pandemia de COVID e Bolsonaro, tenho conseguido cumprir a meta de mudar o mundo. Ou, pelo menos a minha visão do mundo. O ato de escrever sobre aquilo que não sei, me ajuda a ficar sabendo, diria Fernando Sabino. E neste processo, vou descobrindo maravilhado minha ignorância cada vez mais infinita. Ao me expor publicamente, algumas vezes acabo recebendo críticas consistentes, que me obrigam a rever ...

Meritocracia corrigida

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  O amigo Paulo Augusto Moreira Camargos mencionou o cartum publicado sobre meritocracia ( VER AQUI ) numa conversa entre os amigos Facundos (Thalma, Zeina, Raquel, Tarcísio e César) e concordamos que a ideia mais correta seria representar uma mulher negra na situação, pois, na verdade é uma questão de classe, raça e também gênero.  Por isso, refiz e republico o desenho com uma mulher negra representando o extremo da exploração capitalista. Aliás, ontem também foi divulgada nova informação sobre a participação do racismo na desigualdade de renda entre brancos e negros e homens e mulheres ( VER AQUI ).

Meritocracia

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Quando nos tornamos racistas? (atualizado em 26/2/21)

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  Resumo de uma palestra feita no grupo de amigas e amigos denominados Os Facundos (vídeo ao final) Numa conversa, a amiga disse que as crianças pequenas não são racistas, que elas aprendem depois dos seis anos. Fiquei pensando. Lembrei-me das ideias do cientista Robert Sapolsky, que começou sua vida como pesquisador “tornando-se” um babuíno para poder estudar o comportamento daqueles nossos parentes distantes. Ao ler seu “Memórias de um primata”, há cerca de 20 anos, apaixonei-me pelas suas aventuras no Quênia e em 2018 aprendi mais ainda com seu último livro sobre a biologia do comportamento humano (“Behave – the biology of humans at our best and worst”). Quem quiser conhecer um pouco de sua profunda obra científica, pode assistir o vídeo de 15 minutos no qual Sapolsky sintetiza algumas de suas ideias durante uma palestra TED (ver no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=ORthzIOEf30 ). O racismo é um dos piores comportamentos humanos e dizem que para combater o mal, o primeiro...