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Mostrando postagens com o rótulo patriarcado

O veneno na mamadeira

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  Qual gênero que: Mata mais os outros gêneros É mais assassinado Suicida mais É mais dependente de drogas É maioria nos presídios Mais realiza assassinatos em massa Mais morre no trânsito, na guerra e no trabalho Mais entra para grupos extremistas em todas as ideologias Mais abandona a escola Vive menos Todas as estatísticas mostram que é o masculino. Portanto, a sociedade em que vivemos não é boa nem para as mulheres, que são oprimidas, massacradas, humilhadas e desprezadas, e nem para os homens, que também se tornam vítimas da violência de outros homens porque vivemos no patriarcado, este sistema pré-histórico de organização humana que é baseado na rígida divisão de papeis entre os sexos e no domínio dos homens mais poderosos, pela força física e econômica, sobre as demais pessoas. No patriarcado, nós, homens, somos criados para viver em desesperada competição por status social, numa luta eterna de todos contra todos, o que gera solidão, insensibilidade e...

O dia em que lutei contra Napoleão

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Eu não sabia que ainda viveria mais 70 anos, mas minha vida parecia plena naqueles últimos acordes da Abertura 1812 de Tchaikovsky, que meu pai me fizera ouvir enquanto descrevia vividamente as cenas que ele imaginava estarem sendo representadas nos diversos momentos daquela música. Com uma das mãos empunhando uma batuta imaginária, ele regia a orquestra que inundava de sons majestosos a biblioteca de nossa casa, emanados do disco de vinil vendido pela revista norte-americana Reader’s Digest. Papai alternava sua narrativa com breves assobios acompanhando a melodia. Veja, meu filho, no começo, o coral de vozes dos padres ortodoxos com suas longas barbas... eles cantam pedindo a deus que salve sua querida Rússia do avanço implacável do imperador francês, o Napoleão, aquele que traiu a Revolução Francesa... agora, ouça, surgem ao longe as cornetas do poderoso exército francês se aproximando, com alguns toques do hino da França, a Marselhesa. A melodia agora se apressa agitada como a not...

O grito libertador de Cau Gomez

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O desenho acima, de Cau Gomez , é um dos seus cartuns nada cordiais que denunciam o racismo e o patriarcado violentos e estruturais de nossa sociedade. Ele foi publicado em todo o Brasil numa das investidas no Congresso da bancada do Boi, Bíblia, Bala e Brancos contra o direito legal de meninas estupradas interromperem a gravidez resultante da violência. Acabo de receber seu livro “ Sorria, você está sendo... ” com este e dezenas de outros cartuns impactantes e uma dedicatória amorosa, pois somos amigos desde quando Cau era um jovem iniciante nesta arte na qual ele se tornou um mestre.   Cau é um cartunista que utiliza sua pintura como dinamite e as heranças da escravidão negra como a alma de seu trabalho. Cada página de seu livro é lançada com a maior força gráfica possível contra os múltiplos pilares de uma sociedade patriarcal violenta supremacista branca capitalista e imperialista. Humor é uma forma de resistência. O humor de Cau é libertação identitária das correntes...

Como salvar nossas meninas e meninos?

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  Cada vez mais tenho consciência do quanto as mulheres são massacradas por causa da estrutura social e econômica do patriarcado e eu, como homem, sinto que preciso estar junto com as mulheres para, quem sabe, conseguirmos mudar esta situação, não só por elas, mas também por nós homens , porque o patriarcado nos torna insensíveis, brutais e violentos: matamos as mulheres e nos matamos entre nós. Além do sofrimento causado às mulheres, alguns dos males que o patriarcado traz aos homens: Somos a maioria nas prisões (93,2%) Somos a maioria das pessoas assassinadas (92%) (geralmente por outros homens), Morremos mais no trânsito (75%) e nas guerras (70%) Suicidamos mais (70%) Somos mais internados por doenças mentais e drogas (61,3%) Somos mais dependentes de álcool (19,5%) Somos a maioria dos autores de assassinatos em massa (95%) Nossa sexualidade é pervertida pela violência da pornografia Aprendemos menos, somos mais expulsos da escola e conquistamos menos diplomas Vivemos solitários...

O vírus da violência masculina

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  Algumas pessoas perguntaram se acho ou não que Carlos Bronca Neto e seus amigos merecem a condenação e a prisão pelos crimes que cometeram: planejar assassinato de adversários, tentativa de fraudar eleições e outros ( ver aqui o conto que publiquei ontem ). Na ficção que escrevi, ao questionar a decisão do juiz eu disse que “devia ser condenado o patriarcado”, dando a entender que esta estrutura social pré-histórica (e pré-capitalista, senhor Engels) seria a causa da formação do caráter violento dos personagens e da opressão das mulheres (que são obrigadas a reproduzirem o patriarcado). Propositalmente, com a intenção de chamar a atenção sobre o papel do patriarcado na formação de homens e mulheres, deixei em aberto se Carlos e seus cúmplices “também” deviam ser condenados ou não. Comparo com a situação de um cão com hidrofobia (ia escrevendo homofobia), doença que sabemos ser causada por um vírus letal. É claro que precisamos prender o animal doente para proteger a sociedade, ma...

Carlos Bronca, o neto

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  Inspirado em bell hooks   Quando a parteira avisou que era um menino, a sala enfumaçada pelos cigarros comemorou com gritos de “é saco roxo!” e os amigos deram palmadas nas costas do pai, que distribuiu mais uma rodada de cachaça e uma caixa de foguetes. O tio Nico brindou ainda bem que é macho, achei que meu irmão ia dar outra fraquejada! Na ressaca do dia seguinte o pai viu o filho na penumbra do quarto, acordou o menino com um beliscão na bochecha e foi ao cartório registrar, escreve aí, Carlos Bronca, como o pai, e acrescenta Neto! Na semana seguinte, Carlos Bronca, o pai, implicou com a manta rosa que cobria o menino, herança da irmã mais velha, isso é cor de mulherzinha, tira isso, mulher! A mãe resmungou que estava muito frio, mas o pai arrancou a manta dizendo que sentir frio é bom, vai treinando para ser homem sem frescura. Na igreja, o padre derramou a água benta na cabeça da criança dizendo eu te batizo em nome de Deus Pai todo poderoso, a quem suplico que...

Eu queria ser Lélia

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  Este cartum é inspirado na grande escritora feminista Lélia Gonzalez , que descobriu a verdadeira língua do povo brasileiro, o pretuguês. Li recentemente “ Por um feminismo afro-latino-americano ”, que antecipa as denúncias de Angela Davis e bell hooks de que sofremos num patriarcado supremacista branco capitalista imperialista . Há mais de 20 anos, uma de minhas filhas, brincando com meu ativismo político, disse “ papai acha que ele é uma mulher, preta e pobre ”. Pois este é o maior elogio que já recebi. Quem sabe, ainda descubro um jeito de me transformar numa verdadeira mulher negra e revolucionária, como Lélia Gonzalez. Lor