Haddad, a rainha e eu
Fernando Haddad, essa pessoa doce e político admirável, que nas horas vagas é também um intelectual muito culto, escreveu o livro chamado “ O terceiro Excluído ”, no qual ele defende que “a tribo (ou nação) e a religião não apenas têm a linguagem como pressuposto, mas também são decorrência de como as culturas revoluem”. Isso mesmo, o verbo revoluir foi inventado por ele para distinguir o surgimento de diferentes culturas da maneira como se processa a evolução biológica. Lendo o Haddad e lembrando-me do cruel colonialismo racista inglês, mas incapaz de fugir do noticiário, insuportavelmente piegas, sobre o funeral da rainha, fiquei pensando como este espetáculo fúnebre de mídia (- Puta case de investimento em turismo, mêu! – diria o Duvivier) demonstra a hegemonia da língua-nação-religião anglo-saxônica cristã supremacista branca. Foram inumeráveis os depoimentos de pessoas brancas (britânicas ou não) às lágrimas, revelando seu amor (próprio) pela rainha, a quem agradecem por tudo que ...