Minha neta Rosa, de sete anos, voltou da escola perguntando-me como era morrer. Respondi que não tinha experiência própria (ela deu uma risadinha), mas eu supunha que seria uma espécie de sono profundo do qual a gente não mais acorda. Mas ela queria saber de que forma se morre, “tipo assim rápido ou devagar...” Disse-lhe que existem muitas maneiras diferentes de morrer, algumas de repente, num acidente de carro, por exemplo, outras lentas, de velhice ou de uma doença grave, quando o corpo vai parando de funcionar, o cérebro, o coração... Comentei que a maioria das pessoas atualmente morre somente depois de ter vivido muitos anos. Na nossa família, por exemplo, quase todas as pessoas que morreram já estavam bem velhinhas. Meu avô Ernesto, por exemplo, estava na casa dos noventa anos e muito fraco e magrinho, quase sem forças para se levantar da cama e precisava que minha avó Maria o alimentasse levando pequenas colheradas de sopa até sua boca. Num dia, vovô conteve o braço da ...