Bye buy
Depois de 48 horas com o celular desligado recuperei a sensibilidade nas pontas dos dedos, consegui enxergar as casas no outro lado da rua e conversar com minha mulher sem a sensação permanente e insidiosa de que algo importante estava acontecendo e eu estava por fora. Antes passara por momentos de muita angústia. De repente, minha geladeira se tornara um objeto real, as paredes pareciam sólidas e o chão estava frio sob meus pés. As cores do dia feriam meus olhos, apesar da branquitude opaca de um domingo nublado. Passei a sentir de forma estridente os barulhos de carros e latidos de cães se misturando com o chiado das cigarras numa cacofonia que ocupava progressivamente todo o espaço sonoro. Assustei-me com o canto agressivo de um bem te vi que pousou em meu quintal, fechando a janela antes que meu lobo frontal perguntasse que estupidez era aquela de sentir medo do pequeno pássaro. Havia desconforto em minha pele, suarenta e pegajosa, com calafrios ocasionais entremeando ondas d...