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Cotas, a dúvida da meritocracia

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  Um jovem amigo querido, branco e rico, me disse que o vestibular hoje é mais difícil para ele porque as cotas para os pobres e negros diminuíram as vagas na universidade para os outros estudantes. Será que isso é verdade? Essa é uma dúvida que costuma confundir muita gente. A primeira informação a ser conferida é a  Lei de Cotas (Lei nº 12.711 de 2012)  na qual o governo da presidenta  Dilma Roussef  determinou que  50% de todas as vagas  de cada curso nas universidades e institutos federais seriam reservadas para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. Além disso, 50% das vagas devem ser subdivididas por critérios de renda e critérios raciais (pretos, pardos, indígenas e quilombolas). Os outros 50% ficaram para a chamada  Ampla Concorrência . Assim, de fato, as vagas para cotistas foram retiradas da chamada Ampla Concorrência (onde concorrem os brancos e ricos), mas, ao mesmo tempo houve aumento no ...

Lagoa do Nado: veja o filme da vitória!

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  O Parque Lagoa do Nado, na região da Pampulha em Belo Horizonte, é resultado de uma longa e vitoriosa mobilização popular.  Se você quer ver esta história lindamente contada pelo cineasta Arthur B. Senra, basta clicar abaixo. O filme está disponível gratuitamente! Lagoa do Nado - A festa de um parque - Embaúba Play

Enfrentar a vida com arte!

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  Minha filha Maria Helena tem sido corajosa, bem-humorada e mantém a esperança para enfrentar sua doença, a neurofibromatose do tipo 1. No último ano, Maria Helena percebeu que as complicações neurológicas da doença vinham dificultando progressivamente seu trabalho como fisioterapeuta, então decidiu retomar seu talento artístico como pintora, desta vez, transformando caixinhas de madeira em obras de arte exclusivas. Junto com o sobrinho Francisco, a irmã Luíza, o marido Marcos  e a  mãe Thalma (assessoria artística) montaram uma estrutura para distribuir as caixinhas, brindes e sorteios para quem comprar as preciosas obras de arte que ela está produzindo. Entre os brindes, haverá um sorteio mensal de uma caneca desenhada por mim com temas de humor cotidiano. Nas fotos abaixo, alguns exemplos das canecas que desenhei numa primeira fornada (literalmente as canecas vão ao forno depois de pintadas), assim como outras pintadas pela Maria Helena e algumas caixinhas. Me d...

O veneno na mamadeira

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  Qual gênero que: Mata mais os outros gêneros É mais assassinado Suicida mais É mais dependente de drogas É maioria nos presídios Mais realiza assassinatos em massa Mais morre no trânsito, na guerra e no trabalho Mais entra para grupos extremistas em todas as ideologias Mais abandona a escola Vive menos Todas as estatísticas mostram que é o masculino. Portanto, a sociedade em que vivemos não é boa nem para as mulheres, que são oprimidas, massacradas, humilhadas e desprezadas, e nem para os homens, que também se tornam vítimas da violência de outros homens porque vivemos no patriarcado, este sistema pré-histórico de organização humana que é baseado na rígida divisão de papeis entre os sexos e no domínio dos homens mais poderosos, pela força física e econômica, sobre as demais pessoas. No patriarcado, nós, homens, somos criados para viver em desesperada competição por status social, numa luta eterna de todos contra todos, o que gera solidão, insensibilidade e...

A Globo por dentro

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  Mano Ernesto Rodrigues completou sua mais extensa reportagem, desta vez sobre a Rede Globo, escrita em 2224 páginas que fluem agilmente de um assunto para outro como se estivéssemos percorrendo invisíveis os bastidores da maior concessão de TV do Brasil, reconhecida como potência mundial das comunicações. Pelas mãos do Ernesto, entramos na Globo e descobrimos como a vida de todas as brasileiras e brasileiros tem sido afetada pelas decisões tomadas em camarins, salas de edição e gabinetes restritos da família Marinho. Ernesto traz peixes frescos de volta do seu mergulho jornalístico em águas profundas, nem sempre cristalinas, da grande corporação, usando seu próprio fôlego, sem patrocínios nem equipamentos de proteção contra tubarões e outros perigos econômicos. Acompanhei ano a ano a sua aventura nas entranhas do gigante para resgatar seu coração de jornalista que lá permaneceu durante 14 anos de dedicação apaixonada. Um spoiler: para o Ernesto está sendo um final feliz. ...

Imperdível!

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O dia em que lutei contra Napoleão

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Eu não sabia que ainda viveria mais 70 anos, mas minha vida parecia plena naqueles últimos acordes da Abertura 1812 de Tchaikovsky, que meu pai me fizera ouvir enquanto descrevia vividamente as cenas que ele imaginava estarem sendo representadas nos diversos momentos daquela música. Com uma das mãos empunhando uma batuta imaginária, ele regia a orquestra que inundava de sons majestosos a biblioteca de nossa casa, emanados do disco de vinil vendido pela revista norte-americana Reader’s Digest. Papai alternava sua narrativa com breves assobios acompanhando a melodia. Veja, meu filho, no começo, o coral de vozes dos padres ortodoxos com suas longas barbas... eles cantam pedindo a deus que salve sua querida Rússia do avanço implacável do imperador francês, o Napoleão, aquele que traiu a Revolução Francesa... agora, ouça, surgem ao longe as cornetas do poderoso exército francês se aproximando, com alguns toques do hino da França, a Marselhesa. A melodia agora se apressa agitada como a not...

Mercadores do inferno

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  Outro dia comentei a importância do livro de Naomi Oreskes e Erik Conway “Mercadores da Dúvida” para o enfrentamento do aquecimento global que é causado pelo modo de produção capitalista e vem sendo agravado pelo fanatismo dos fundamentalistas do livre mercado que estão tomando de assalto governos e instituições democráticas para evitarem qualquer tipo de regulamentação de suas atividades econômicas predatórias. Além de mostrar cientificamente as causas do aquecimento global e as organizações de direita e extrema direita de negacionistas ativas, outra coisa que me encantou no livro foi a defesa que fazem e a compreensão profunda que a autora e o autor têm da ciência. Por isso, convido você a assistir o TED abaixo com a Naomi Oreskes (obrigado, Carol Vimieiro!), no qual ela soluciona maravilhosamente um paradoxo da ciência que vem me intrigando há anos, como tentei discutir numa carta para um aluno de mestrado com o título “ Entre Deus e o Orientador Ateu ”.   E qual é...

Queremos boas notícias? O poder da ciência

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  Clique na imagem para ver detalhes Sinto-me entre as pessoas que estão cada vez mais angustiadas diante da maior parte das notícias que nos chegam por todos os meios, especialmente sobre o aquecimento global e a instabilidade internacional. Para enfrentar essa angústia, busco outras fontes de informação que indiquem caminhos de esperança nesse mundo ameaçador em que vivemos. Às vezes, dou sorte de encontrar pessoas especiais que iluminam minhas ideias e ideais com as lanternas da ciência, como Naomi Oreskes e Erik M. Conway, que reuniram sua experiência como professores de história da Ciência e dedicaram 5 anos de suas vidas para escrever o livro “ Mercadores da Dúvida ”, (lançado em 2010 nos Estados Unidos e a primeira edição brasileira em 2025), uma obra indispensável para quem sabe que precisamos construir saídas para a catástrofe climática que vem se instalando em nosso único e vulnerável planeta.     A documentação utilizada neste livro foi fundamental pa...

Quem garantiu a vitória de Lula em 2022?

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Segundo o economista e cientista de dados Seth Stephens-Davitowitz em seu livro Todo Mundo Mente , as preferências políticas nos Estados Unidos são influenciadas (em cerca de 5 a 7 pontos) pela popularidade do presidente em exercício durante o período em que o eleitor tem entre 14 e 24 anos (ou seja, em torno de 20 anos de idade). Tentei aplicar esta lógica ao período dos governos petistas (2002 a 2016), escolhendo o meio deste período, em torno de 2010, como o auge da popularidade de Lula, e comparei com os resultados da eleição de 2022. Utilizando as intenções de voto nas eleições (DataFolha) e a distribuição dos eleitores por faixa etária (TSE), construí a Tabela e o Gráfico abaixo. A faixa etária de 16-24 na eleição de 2010 (destaque em amarelo na Tabela) declarou 54% dos votos para Dilma e doze anos depois 60% dos votos para Lula em 2022 quando ela já estava na faixa etária de 25-34 anos. Ou seja, aquela geração deu 6 pontos percentuais a mais para Lula, portanto, concorda...