segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Sou um merda


Sou um merda. Não no sentido que algumas pessoas se sentem em relação ao tamanho do mundo.

Sou um merda porque acredito nos outros e acabo me ferrando. Sou daqueles que acreditam mesmo, para valer, de mudar o rumo da minha vida depois que alguém fala sério comigo e me convence de alguma coisa. Porque não consigo descobrir quando uma pessoa está mentindo.

Minha primeira lembrança de acreditar totalmente em alguém foi no dia em que Jânio Quadros, o candidato à presidência do Brasil, espetou uma vassourinha no meu uniforme de colegial dizendo que iria varrer a corrupção do Brasil.

E eu acreditei.

Jânio visitava o colégio interno de padres onde eu estudava e era perseguido pelos alunos mais velhos, que me chamavam de viadinho e me bolinavam o tempo todo. Bolinar era muito mais do que aquilo que todo mundo chama hoje de bullying. Fui reclamar com o padre diretor, que mandou sentar no colo dele e que assim tudo ficaria bem.

Eu acreditei.

Aliás, até os dezessete anos ia à missa, rezava muito e os padres diziam que o comunismo queria matar deus e acabar com os valores da família, liberando a sacanagem entre meninos e a masturbação. Ficava impressionado com o poder dos comunistas: ninguém explicou a eles que deus era onipotente, onisciente, onipresente e eterno? A parte da masturbação até que achei legal..., mas acreditei mesmo que o comunismo era obra do capeta.

Aí, conheci um cara numa república de estudantes, onde fui morar, que me mostrou que vivíamos oprimidos por uma ditadura militar e que os estudantes e camponeses unidos iriam derrubar o governo naquelas próximas semanas. Por isso, eu devia me juntar a eles. Eu acreditei.

Quando saí da prisão, um militante dum partido clandestino disse que a prisão era uma honra e que eu devia continuar a missão de libertar o povo brasileiro, participando do movimento estudantil na universidade. Diziam que as garotas do diretório acadêmico praticavam o amor livre. Foi fácil acreditar.

Preso novamente, o capitão interrogador disse que eu seria expulso da universidade e iria apodrecer na cadeia. Havia um decreto da ditadura militar que expulsava estudantes que se envolviam com política. Ao ser levado de volta para minha cela solitária, escoltado por dois soldados com fuzis, é claro que acreditei.

Inocentado por falta de provas no tribunal militar, pude concluir a faculdade e um dos professores disse que eu era um excelente aluno e por isso devia me dedicar à pesquisa científica, porque a carreira de professor universitário é nobre, muito respeitada, bem remunerada e a profissão mais importante para uma sociedade desenvolvida. Voltei a acreditar.

Um tempo depois, alguém me chamou para participar da fundação de um partido de trabalhadores, que seria construído democraticamente, de baixo para cima, completamente diferente dos outros partidos burgueses. Acreditei.

Dois anos depois, junto com uns outros dissidentes, tivemos que sair do tal partido porque um sindicalista famoso e sua turma assumiram o controle alegando necessidades da conjuntura eleitoral, mas disseram que continuariam socialistas e fora da corrupção. Acreditei, apesar de magoado.

Assim que amoleceu a ditadura, foi criada a Constituição de 1988 prometendo um país mais justo, com democracia econômica e igualdade social. Um punhado de deputados eleitos om dinheiro de fazendeiros, banqueiros, pastores religiosos, mineradoras, grandes empresas de comunicação e multinacionais assinaram e juraram cumprir a nova Constituição. Acreditei emocionado.

Tempos depois, na campanha do tal partido de trabalhadores para o governo federal, prometeram que se fossem eleitos revogariam a possibilidade de reeleição, fariam uma reforma política para acabar com a corrupção dos partidos tradicionais e aumentariam os impostos sobre os bancos e as grandes fortunas. Eu acreditei e votei.

Na reeleição, justificada pela necessidade de completar o trabalho iniciado no primeiro mandato, o presidente sindicalista prometeu fazer a reforma política, agora com o apoio de um grande partido tradicional, das empreiteiras e dos bancos. Tive um breve momento de desconfiança, mas como 84% da população acreditava nele, votei em banco, quer dizer, em branco.

Aí começaram a surgir denúncias de corrupção, compra de políticos, desvio de dinheiro de estatais, mas o presidente dizia não saber de nada e no meio da confusão tirou da manga uma mulher para o substituir, alguém inexperiente para governar, mas com a reputação de ser absolutamente incorruptível mesmo sob tortura. Não dava para não acreditar na honestidade dela.

Ainda deu tempo de ler um livro do sociólogo italiano Domenico de Masi, chamado “O futuro chegou”, no qual ele prova por A mais B que o Brasil já é o país do futuro, por causa de suas dimensões continentais, suas riquezas naturais fabulosas e, especialmente, sua diversidade étnica e religiosa em convivência pacífica num ambiente de liberdade democrática. Puxa! É claro que acreditei.

Mas a coisa se complicou quando o país afundou na crise econômica internacional e os banqueiros, fazendeiros, pastores, policiais e a grande imprensa não aguentavam mais uma mulher mandando, especialmente porque ela não conseguia mandar em nada mesmo sem o apoio do partido tradicional, que a elegera, mas que agora queria governar sozinho. Enquanto isso, um juiz processava o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro, mas garantia que ele, um juiz de moral, não tinha nenhum interesse político nesse processo. Eu acreditei nele.

Agora que a idade avançada chegou, olho para trás e descubro que tenho sido ingênuo, crédulo, um merda, enfim.

Mas aprendi a lição. O próximo sujeito que vier me espetar uma vassourinha no peito e dizer que vai varrer a corrupção do país, vou responder na lata:

- Ah, é? Ah é, é? Aqui ó procê!





sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A revolta de Adão




Adão se aproximou e disse: - Senhor, dá para voltar antes daquele lance da costela? O Senhor, apesar de onisciente, perguntou: - O que está pegando? Adão cuspiu uns caroços de melão (a maçã ainda não tinha sido provada): - Ah, é muita regrinha, muito mimimi, muita limpeza, tudo que eu gostava de fazer, agora ela chama de machismo.... Me desculpe, Senhor, mas isto aqui virou um inferno! O Senhor coçou a barba: - Tem uma saída... A gente arranja um pretexto, expulso vocês do Paraíso e lá fora você passa a mandar em tudo. Adão balançou a cabeça: - Tô nessa - prefiro ter que trabalhar do que aguentar essa mulher o dia todo! Então, o Senhor disse: - Chama a serpente.



E o plano de Deus-Adão-Serpente vinha dando certo, pelo menos até recentemente. Nós homens herdamos uma poderosa estrutura de dominação masculina desde as primeiras comunidades humanas e praticamente todas as culturas e civilizações são ou foram controladas pelos homens, desde nossa vida como caçadores coletores até as sociedades industriais[i]. A primeira desigualdade social entre seres humanos surgiu na relação pré-histórica entre o homem e a mulher e persiste mesmo nos países mais avançados economicamente.

O reinado de Adão significa, em termos concretos, maior responsabilidade e encargos físicos para a mulher na gestação e na criação das crianças e mais tarefas nos cuidados com a casa, o que se traduz em mais trabalho para as mulheres (especialmente manuais), menor remuneração pelo trabalho fora de casa e dupla jornada, o que significa participação reduzida na riqueza medida em termos econômicos. Não bastasse a cangalha doméstica, as mulheres têm menos direitos políticos e menor participação nas decisões sociais e enorme submissão aos desejos sexuais dos homens, incluindo a forma de como elas devem aparentar fisicamente. A maioria de nós, homens, é claro, desde aquela primeira reclamação de Adão, não temos achado ruim esta situação durante milênios.

No entanto, nas últimas décadas, reações femininas à dominação masculina alcançaram certo grau de sucesso em algumas partes do mundo, como o direito ao voto, o direito ao divórcio, o direito à contracepção e ao aborto, assim como a exigência legal da igualdade de salários, a punição masculina pelo abuso sexual e as condenações por feminicídio. Isto vem acontecendo desde meados do século passado, especialmente depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos (aliás, presidida por Eleonor Roosevelt, viúva do ex-presidente norte-americano na época).

Estas reações femininas, o chamado feminismo, são um conjunto de defesas dos direitos da mulher, uma bandeira ampla que abarca múltiplas questões. Desde o final da Segunda Guerra Mundial o feminismo vem conquistando mais pessoas em todo o mundo, de forma evidente nos países desenvolvidos democraticamente e mais lentamente naqueles mais pobres e mais religiosos[ii].

Este crescimento do feminismo implica no rearranjo do poder entre homens e mulheres nos cargos políticos e posições no mercado de trabalho, mas principalmente na intimidade das relações domésticas. Ali, onde Adão e Eva se encontram cara a cara no nível pessoal, familiar, sexual e simbólico da família é onde as conquistas femininas mais produzem reações negativas por parte dos homens (e também das mulheres que acreditam nos valores tradicionais dos papeis femininos como pessoas “do lar”).

Nem todos somos mulheres, nem todos somos aposentados, nem todos somos negros ou indígenas, nem todos somos ricos ou pobres, nem todos somos homo afetivos, mas praticamente todos estamos envolvidos nalguma relação homem-mulher, na intimidade ou no ambiente profissional. Por isso, as questões relativas aos costumes relacionados à convivência entre os gêneros são aquelas que mais afetam a maioria das pessoas. Daí a sua importância, desde os tempos do Paraíso, aliás, como vimos acima, foi onde começaram os problemas.

A reação masculina diante do avanço do poder feminino vem aumentando nos últimos anos. Inicialmente, os homens difundiram uma rejeição debochada ao politicamente correto, especialmente aquele relacionado com as mulheres. Muitos homens dizem que querem recuperar a “liberdade” para contar piadas sobre mulheres sem serem patrulhados por elas, a quem consideram pessoas sem humor. Por algum motivo estranho, estes homens imaginam que as vítimas deveriam rir com a sua própria humilhação.

No entanto, como a liberdade feminina é um valor cultural que se disseminou (inclusive para aumentar os lucros no mercado de consumo especializado), não fica bem aos homens combaterem frontalmente as conquistas femininas muito além das piadas sexistas. Por isso, aos poucos, cresceu o número de homens com argumentos cada vez mais fundamentados na defesa da família tradicional, nos costumes conservadores e nas religiões (todas elas com deuses criados à imagem e semelhança do homem, o masculino, não o termo genérico). Ou seja, sem explicitar a crítica direta ao feminismo, os homens podem propor a volta aos papeis tradicionais da mulher, o que é, no fundo, uma postura antifeminista.

Alimentando o exército (sem duplo sentido) de defensores da hegemonia masculina, surgiram versões modernas de ideias arcaicas dos séculos anteriores, aparentemente mais racionais e baseadas na pseudociência, que naturalizam e tentam justificar
diferenças sociais e de direitos a partir de diferenças biológicas entre homens e mulheres.

Por outro lado, há várias afinidades entre o feminismo e posições políticas da esquerda (pois o feminismo é necessariamente de esquerda no sentido libertário e democrático), como as defesas da igualdade, da fraternidade, da liberdade e da valorização dos direitos humanos. 


Aliás, penso que o feminismo está à esquerda da esquerda[iii] porque a diferença entre os gêneros masculino e feminino foi a primeira desigualdade social que existiu e permanece, repito, nas sociedades mais avançadas. Alcançar a igualdade de direitos, de poder e ideológica entre homens e mulheres é ao mesmo tempo a questão mais importante e a mais difícil para a construção de uma sociedade realmente justa.

Assim, o feminismo, sendo de esquerda, costuma ser identificado pelos conservadores com outras posições políticas polêmicas, como a liberação das drogas, a liberdade homo afetiva, a globalização cultural, a defesa do meio ambiente e, no extremo do espectro, com o comunismo. No entanto, o feminismo não fez parte de nenhuma das propostas comunistas e tampouco as sociedades ditas comunistas conseguiram abolir o machismo em suas experiências reais.

A estratégia Adâmica, portanto, para reforçar a hegemonia masculina, tem sido combater o feminismo (que nos incomoda em casa), juntando-o com a esquerda (que incomoda os grandes interesses econômicos) e, no limite, com a ameaça do comunismo (que assusta grande parte da população). Mas o velho comunismo, aquela ideia de uma sociedade futura e igualitária construída à força das armas, se não morreu está agonizando[iv] e o que resta dele é um fantasma, uma espécie de lençol esfarrapado que os homens conservadores jogam sobre a esquerda e sobre as feministas para confundir a sociedade e assim manter privilégios masculinos intocados.

Em resumo, pelo menos uma parte do avanço dos líderes populistas de direita (com perfil machista explícito) em todo o mundo, apesar de enormes diferenças culturais e econômicas entre os países onde isto vem ocorrendo (por exemplo, Estados Unidos, Brasil, Áustria e Suécia), precisa ser decorrente de algo em comum entre todos estes países. O denominador comum entre os diversos populistas recentes talvez seja justamente a revolta machista contra as conquistas femininas, uma espécie de refluxo conservador primitivo, subconsciente e velado no ocidente e explícito nos países dominados por religiões arcaicas.

Ou seja, Adão anda insatisfeito com este cerceamento de sua liberdade causada pela cultura dos direitos humanos e da paz e acha que sua infelicidade é culpa da Eva. Então ele procura o Senhor. - Outra vez? - Reclama The Master of Universe. Adão resmunga: - Já tentei de tudo... desde proibição para estudar até fogueira na inquisição, mas nada cala esta mulher! O Senhor pensa um longo tempo e decide: - Chama a serpente!  



Dezembro 2018

Thalma, obrigado pela leitura e sugestões.



Notas

[i] Em seu livro “Sapiens – Uma breve história da humanidade” (páginas 161-168, 12ª edição, 2016) Yuval Noah Harari apresenta resumidamente as principais teorias que tentam explicar esta dominação masculina, concluindo que ainda não sabemos ao certo a sua causa. Ver também a proibição às mulheres de exercerem atividades como pajés: https://arte.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/sebastiao-salgado/yawanawa/primeiras-pajes-mulheres-resgatam-banhos-curativos/

[ii] Ver dois livros de Steve Pinker: “Os anjos bons de nossa natureza” (2012) e “O novo Iluminismo” (2017).

[iii] Muitas pessoas de esquerda dizem que se acabarmos com a sociedade de classes econômicas existentes no capitalismo a igualdade entre homens e mulheres viria naturalmente. Duvido.

[iv] Ver excelente GREG NEWS especial de dezembro de 2018: https://www.youtube.com/watch?v=AJAS2_F9kic


Atualização em 4/1/2019: Alguns dias depois desta postagem, Eliane Brum escreveu um artigo lúcido e detalhado que aprofunda imensamente o que tentei dizer. Ver AQUI



quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

a CRIATURA neste domingo


Cada geração possui sua forma de arte, mas há artistas que pertencem a diversas gerações. Um grupo de artistas jovens se reuniu em torno de Mary Shelley e seu eterno Frankenstein para nos envolver nesta trama humana que nos une a todos, apesar do WhatsApp.

Vejam abaixo o convite do Batista, meu querido amigo e cartunista.

“Bom dia amigxs!

Próximo domingo tem Lançamento A Criatura, a nova publicação da A Zica, a primeira como um selo. E ela tem um valor especial para mim, segue a história:

Quando eu tinha uns 19/20 anos passei por uma barra depressiva que envolveu remédios e psiquiatras. Dureza. Na época estava começando a viver minha vida gay - uma coisa que foi assombrosa para mim pois vindo de família cristã e dentro dos moldes, nunca pensei que fosse viado. Em casa eu não tinha exemplos de vivências homossexuais, pelo contrário, não se falava no assunto e quando ele vinha à baila, era para escorraçar.

Nessa época, fragilizado e atemorizado, tendo os miolos fritos por bolinhas ansiolíticas, li Frankenstein numa viagem para Caratinga. E duas coisas aconteceram: o horror do livro me era confortável, pois era algo que eu estava vivendo. Enquanto todo mundo não sabia bem como agir comigo, e vinham me dizer que a vida era bela, eu encontrava um tempinho trevoso nesse livro para processar o que passava comigo.

A outra coisa que aconteceu de forma sutil, pois na época eu não tinha tanta capacidade de articulação, foi a identificação com a Criatura: vivendo uma vida que não pediu, sabendo que não seria aceita, sem pares, sem possibilidade de realização.

Bueno: passei pela barra, abracei a minha vivência homo-afetiva com os dentes, encontrei meus pares, encontrei aceitação em diversos meios, e tenho vivido de forma realizada meus afetos, tesão, humor, família. Diferente da Criatura, eu passei por uma redenção que não o exílio voluntário.

Lançar essa obra junto com a Zica me traz esse gosto. Mary Shelley cometeu uma obra universal onde nós sempre fugimos: no horror. Horror de ser e de não ser. Horror da falta de sentido e do absurdo da existência. Horror de que no meio do horror ainda existem coisas lindas como flores e o disco Last Splash, das Breeders (outra âncora que usei durante esse tempo lixo da minha vida).

Convido todxs para o lançamento e para conhecerem a obra desejada por mim, João Perdigão e Luiz Navarro, e pensada, editada e projetada por Clarice Lacerda, Ana Paula Garcia, Maria Trika e Ing Lee, que recrutaram 29 artistas para darem vida a essa obra que não pediu para existir, mas que desde já encontra seu lugar no mundo e seu poder de transformar.



O lançamento é neste domingo, dia 16, das 14h às 20h, na Casa Juta - Rua Almandina, 56, Santa Tereza

Além do lançamento, haverá uma mostra de trabalhos das artistas que participam da publicação, um papo com as editoras sobre o processo da Criatura, e show com a banda Não Não Eu.

Link para o evento: https://www.facebook.com/events/391092831631248/

Cordialmente,

Batista”

www.memorialbatista.com.br



terça-feira, 27 de novembro de 2018

70 anos dos Direitos Humanos

Reproduzido do NEXO (ver AQUI )

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. 

Esse trecho está no início da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento que é referência para garantias básicas à população em todo o mundo — como os direitos à vida, à liberdade, a não ser discriminado, a um julgamento justo. 

Passadas sete décadas da implementação desse texto pelas Nações Unidas, um festival de filmes celebra a ocasião do 70º aniversário, adotando a temática “pela defesa dos direitos humanos”. 

Trata-se do Mobile Film Festival, que apresenta filmes com um minuto de duração, gravados em celulares. Na 14ª edição, o festival faz uma parceria com o YouTube, a agência das Nações Unidas para os direitos humanos e a União Europeia. São 51 curtas-metragens oriundos de 19 países, de diferentes linguagens e gêneros. Todos estão disponíveis com legenda em português no canal do YouTube e no site do festival. 

Até 27 de novembro (HOJE), é possível votar no seu favorito. O mais votado vai ganhar um prêmio. Entre os temas que os filmes abordam estão a violência contra mulheres, crise migratória, acesso à educação, pessoas com deficiência e infância. 

Veja abaixo três dos curtas-metragens: o brasileiro “Amado inimigo”, de Augusto Zirbes Stauder e Bruna Weber Correa; o francês “O monólogo”, de Florent Sabatier; e o iraniano “Mocinha”, de Fatemeh Saeedi e Saeed Aghakhani. 












domingo, 28 de outubro de 2018

A indiferença do Universo



O céu límpido lampeja azuis 

nas folhas dos galhos caídos 

com a tempestade de ontem.



A lagarta voraz destrói a planta 

presenteada na feira de ciências 

das minhas netas.



O cão do vizinho late desesperado 

a ausência dos donos 

que saíram para votar.



Nada distingue o último dia de uma época 

dos demais dias 

do resto de uma vida.