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Mostrando postagens com o rótulo Ramon Cosenza

O capitalismo e a inoCiência

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  O texto que postei ontem, MAMUTES NA SALA  , sobre a relação entre a crise climática e o capitalismo, recebeu alguns comentários de dois amigos cientistas, que valem a pena serem lidos. Disse o Romeu Guimarães: Novamente, problemas complexos, muitas janelas, nenhuma suficiente, todas necessárias... Uma das perplexidades que me deixa ´encucado´, no momento, é a miopia que acabei de perceber no comportamento de toda cultura ocidental (não falo das outras, porque conheço nada delas). Desde Thales de Mileto  (-624 a -548) até o século 20 (tipo 2500 anos transcorridos), ninguém percebeu o ´ ambiente ´. Isso significa uma decepção: eu pensava que os grandes pensadores vasculhavam metodicamente todos aspectos dos temas que abordavam, mas não, fixavam somente os aspectos que lhes incomodavam, que lhes apareciam como ´questões´ valiosas, e o ambiente nunca lhes incomodou; era tomado como fonte infinita de recursos e lixeira infinita para seus resíduos; ´taken for granted´, in...

Mamutes na sala

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  Depois de ler os dois artigos interessantes que o amigo Ramon Cosenza me enviou nesta última semana, sobre as relações entre a crise climática e o capitalismo, fiquei pensando que a melhor ilustração para o texto do Jeremy Lent não seria o capitalismo como um elefante na sala das discussões (sobre as terríveis consequências do aquecimento global), mas sim um mamute. Até porque os mamutes foram extintos no final da última Era Glacial... por aumento da temperatura do planeta! GEORGE MONBIOT  e JEREMY LENT  nos mostram que a crise climática é parte inseparável do capitalismo e não há como acabar com o aquecimento global sem acabar com o modo de produção capitalista. Confesso que meu sentimento atual é de que já perdemos o momento de revertermos as alterações climáticas. Deve ser coisa da minha perspectiva solitária de um cara com 72 anos, que passou os últimos 45 anos falando sobre isso, meio como o cara do cartum abaixo. No entanto, se a esperança e o medo são paralisante...

A importância de ser formiga

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  Francisco mostrou-me a aglomeração de formigas em torno do fragmento de presunto que caíra de seu sanduíche, enquanto lanchávamos no quintal, um espaço vital que temos a sorte de dispor para enfrentarmos de forma privilegiada o isolamento social durante esta pandemia que avança terrivelmente pelo mundo, em especial, pelas terras desgovernadas do nosso país. Passamos um tempo tentando compreender a lógica daquelas pequenas formas de vida, que se esforçavam para arrastar o precioso alimento para dentro do formigueiro, mordiscando, puxando, levantando, arrastando e aparentemente dividindo tarefas com alguns indivíduos maiores, dotados de mandíbulas poderosas, que cortavam o presunto em pedaços menores, mais fáceis de transportar.  Curiosos, conseguimos medir a velocidade média das formigas para virem do formigueiro (97 km/h) e para voltarem (46 km/h), embora não tenhamos atinado com um motivo explícito para esta variação. Depois de vários minutos, a equipe, formada por dezenas ...

Quando nos tornamos racistas? (atualizado em 26/2/21)

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  Resumo de uma palestra feita no grupo de amigas e amigos denominados Os Facundos (vídeo ao final) Numa conversa, a amiga disse que as crianças pequenas não são racistas, que elas aprendem depois dos seis anos. Fiquei pensando. Lembrei-me das ideias do cientista Robert Sapolsky, que começou sua vida como pesquisador “tornando-se” um babuíno para poder estudar o comportamento daqueles nossos parentes distantes. Ao ler seu “Memórias de um primata”, há cerca de 20 anos, apaixonei-me pelas suas aventuras no Quênia e em 2018 aprendi mais ainda com seu último livro sobre a biologia do comportamento humano (“Behave – the biology of humans at our best and worst”). Quem quiser conhecer um pouco de sua profunda obra científica, pode assistir o vídeo de 15 minutos no qual Sapolsky sintetiza algumas de suas ideias durante uma palestra TED (ver no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=ORthzIOEf30 ). O racismo é um dos piores comportamentos humanos e dizem que para combater o mal, o primeiro...

A sabedoria ao alcance de todos

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  Meu amigo, o médico e professor Ramon Cosenza, chamou a atenção para a foto acima, que ilustra um ensaio na AEON sobre a ciência da sabedoria, publicado em 2020 (ver aqui: https://aeon.co/essays/how-psychological-scientists-found-the-empirical-path-to-wisdom ). Ela foi realizada num dos vários botequins de Lambari, a cidade onde meus pais criaram meus irmãos, irmãs e a mim, no Sul de Minas. O ensaio é muito interessante e mostra os primeiros passos de um grupo internacional de psicólogos que tentam definir e medir o que vem a ser a tal sabedoria. Por enquanto, definiram a sabedoria como um processo mental que utiliza parâmetros morais para tomada de decisão numa situação que demanda a integração de conhecimentos complexos. Por exemplo, o que seria mais sábio, desmatar uma floresta e plantar soja para alimentar porcos (problema complexo) para saciar a fome das pessoas por carne (motivo moral), ou preservar a biodiversidade e desenvolver agricultura sustentável (alternativa comple...

O porquê Temer é oficiboi das grandes corporações

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Meu querido amigo Ramon Cosenza enviou-me este artigo do DOWBOR. Clique aqui para ver o artigo na íntegra. Talvez seja a análise mais contundente do capitalismo contemporâneo que eu já li. O artigo é extenso, mas vale a pena ler.

O livro do Ramon chegou!

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Acabo de ler o livro “ Porque NÃO somos racionais – como o cérebro faz escolhas e toma decisões” do Ramon M. Cosenza, Médico, Doutor em Ciências e Professor Aposentado do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais. O livro foi recentemente lançado pela ARTMED e é escrito em termos claros e acessíveis a todas as pessoas interessadas e traz conceitos fundamentais para aqueles que querem entender como pensamos e como tomamos decisões (nem sempre certas ou as melhores).  Hum... acho que a Dilma deveria ler este livro. Admiro o Ramon há muitos anos pelas suas qualidades como cientista e ser humano, sua honestidade intelectual, sua sensibilidade social e seus múltiplos interesses, que vão da meditação (pura) à meditação regada a bons vinhos. Sinto-me honrado por ser um de seus amigos há décadas. O livro pode ser adquirido em livrarias e vi na Livraria da Folha de São Paulo (on line) por 39 reais. Parabéns Ramon e longa vida para se...