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Mostrando postagens com o rótulo violência policial

O grito libertador de Cau Gomez

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O desenho acima, de Cau Gomez , é um dos seus cartuns nada cordiais que denunciam o racismo e o patriarcado violentos e estruturais de nossa sociedade. Ele foi publicado em todo o Brasil numa das investidas no Congresso da bancada do Boi, Bíblia, Bala e Brancos contra o direito legal de meninas estupradas interromperem a gravidez resultante da violência. Acabo de receber seu livro “ Sorria, você está sendo... ” com este e dezenas de outros cartuns impactantes e uma dedicatória amorosa, pois somos amigos desde quando Cau era um jovem iniciante nesta arte na qual ele se tornou um mestre.   Cau é um cartunista que utiliza sua pintura como dinamite e as heranças da escravidão negra como a alma de seu trabalho. Cada página de seu livro é lançada com a maior força gráfica possível contra os múltiplos pilares de uma sociedade patriarcal violenta supremacista branca capitalista e imperialista. Humor é uma forma de resistência. O humor de Cau é libertação identitária das correntes...

O Rio que sangra e amanhece

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  Carlos Starling   Dizem que o Rio acorda sempre bonito. No entanto, às vezes o amanhecer vem com gosto de ferrugem na garganta e o sol parece hesitar, como se também tivesse medo de entrar pelos becos onde a vida custa caro demais. Naquela terça-feira de outubro, a cidade despertou não com pássaros, mas com estampidos — uma sinfonia áspera e descompassada que atravessava as janelas e parava o coração das mães antes mesmo do café manhã. Mais uma “operação policial”. Nome técnico, quase limpo, que cabe bem em manchete. Um eufemismo de guerra. Na prática, foi uma rajada curta e grossa na carne da cidade e do país. Cento e vinte e uma vidas, disseram os jornais ao fim do dia — mas os jornais apenas somam, não sentem. O número, redondo e terrível, já supera o do Carandiru, e o espanto se repete: outra vez a morte fez expediente em horário comercial, com conferência de imprensa à tarde e os corpos ainda quentes largados para trás. A Fiocruz — guardiã discreta da saúde e da...

Quem matou Cristóvão?

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Um policial carioca, em férias, mas armado, bebendo num bar, matou o Cristóvão, um homem negro e morador de rua há décadas, conhecido por todos nós do bairro Itapoã em Belo Horizonte, uma pessoa gentil e sorridente, que apesar da própria miséria cuidava de dois cães abandonados. Não sei quais motivos levaram Cristóvão para as ruas, mas o conheço desde quando morou por anos dentro do Parque Lagoa do Nado, onde construiu uma maloca com galhos e símbolos religiosos em que vivia com seus vira-latas, dóceis, como ele. Muitos de nós oferecíamos alimentos, algum dinheiro e roupas para o Cristóvão, apesar de ele nunca pedir. Não sei o que aconteceu no bar, mas não consigo imaginar qualquer justificativa para alguém atirar num morador de rua desarmado e frágil. Ainda não sei o nome do tal policial que atirou e fugiu. Disseram que os dois vira-latas, novamente abandonados, continuaram zelando pelos pertences do Cristóvão depois que seu corpo foi levado. Os Cristóvãos e as pessoas vulne...

Em defesa da vida

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Somos médicas e médicos que passam os dias tentando s alvar vidas e diminuir o sofrimento das pessoas . Por isso, é com horror e revolta que assistimos a mais uma chacina cometida por policiais numa comunidade da periferia do Rio de Janeiro, no dia 7 de maio de 2021. Foram 29 pessoas mortas na favela do Jacarezinho, mais uma vez jovens e negras em sua maioria. Nossa tristeza e indignação se tornam ainda maiores, porque sabemos que este crime bárbaro vai muito além das vidas perdidas, pois é também um ataque à democracia . Fragilizar a democracia significa abrir espaço para mais mortes violentas, apoiadas por uma política genocida de desrespeito aos direitos humanos. Esta política de violência é exercida dia e noite nas favelas e periferias do Rio de Janeiro e de outras cidades do país por seus órgãos de segurança pública. O resultado é o extermínio de pessoas vulneráveis, que moram em locais sem a presença de políticas públicas efetivas do Estado que deveriam melhorar suas condiçõe...

PM = Polícias do Mundo

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Treinamento militar

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100 dias e 80 tiros

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Desordem do dia

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"A determinação é para apurar no menor prazo possível, então, [com] todos os esforços. Falei, inclusive, com o general Braga na sexta-feira para envidar todos os esforços e recursos disponíveis para logo solucionar essa questão" , disse Michel Temer à imprensa ( ver aqui ) após a execução de Marielle Franco. Fiquei pensando no que disse, de fato, o presidente substituto. “A determinação” Não há sujeito nesta ordem: quem determinou? Ao se eximir da autoria, ao fugir de sua responsabilidade, Temer evita de se posicionar contra seus amigos, tenta não desagradar seus amigos da bancada da bala e seus comparsas no (P)MDB  infiltrados na polícia do  Rio de Janeiro desde o governo de Moreira Franco, tornando-a ineficiente e corrupta. “É para se apurar” Ele quis dizer apurar no sentido de investigar ou com o significado de se montar uma encenação de que alguém está investigando a execução, enquanto a memória pública vai se esquecendo do crime, até que Marielle faça parta da lista de...

quatorze dias

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Ricky Goodwin

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Meu amigo Ricky, um idoso como eu, foi espancado por policiais durante a manifestação contra o assassinato de Marielle Franco, antes de ontem no Rio de Janeiro. Na foto ele está com os dentes quebrados e o rosto com hematomas, sendo levado ao hospital. A covardia policial continua. Ricky é um intelectual ativo desde os tempos do Pasquim e os cartunistas brasileiros devem a ele e sua mulher Anna a defesa incansável da nossa arte. Querido Ricky, sua dor é mais um sofrimento adicionado à dor geral, ao luto geral.

Estilhaços

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Marielle Franco é assassinada com diversos tiros ontem no Rio de Janeiro. Ela tem 38 anos e é vereadora pelo Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL. Ela é militante pelos direitos humanos e é adversária da violência policial. Ela é mulher, é negra, é socióloga, é feminista e é mãe. Ela é. E continuará sendo tudo aquilo que os seus assassinos quiseram apagar com balas de calibre reservado a policiais, já que não podem mais ocultar ou desmentir os crimes que cometem acobertados pela farda e pela corrupção de seus comandantes. O motorista que levava Marielle também foi morto e outra passageira teve ferimentos provocados por estilhaços. Estilhaços também atingiram a operação de intervenção militar no Rio, desacreditando as promessas de moralização da polícia militar feitas pelo general interventor. Estilhaços feriram mais uma vez a esperança de jovens que ainda acreditam na via política, no diálogo, nas eleições para sairmos do desespero que causam as milhares de mortes anuais de jovens,...

O jogo da velha (política econômica)

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Memê

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