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Toda alegria

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Para Luíza   Disse a menina, saboreando seu primeiro sorvete, depois da cirurgia que lhe abriu o peito para corrigir um pequeno defeito no coração, não na sua essência, que toda alegria é, afinal, uma forma de resistência.   talvez por ela ter assim me alertado,  eu, que sempre desprezei o Carnaval, fui ver a batucada na rua ao lado no mesmo bairro onde, dias antes  Cristóvão foi assassinado.  Cristóvão, pacífico morador de rua,  desses que estorvam nossas ilusões de classe média. era um pequeno bloco improvisado, cheio de alegria, apesar da lama que ainda transborda da barragem da Lagoa do Nado, das mineradoras em Brumadinho ou das telas no vale do silício reconheci o sorriso largo da porta-bandeira, que trabalha como empacotadeira  no supermercado Brasil apesar da dor continuada e reincidente de mil Marielles, Malês e Marias da Penha vi a felicidade do rapaz tocando o surdo com vigor, como se aquele c...

Fantasia liberal

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A arte e a guerra

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  Nestes últimos dias, enquanto o governo nacional-capitalista russo massacra a Ucrânia e o mundo dá um passo atrás na sua delicada construção da paz verdadeira, aquela que só é possível sem desigualdades, torna-se ainda mais difícil respirar porque não conseguimos esquecer as tragédias das chuvas nem os mortos pela pandemia, apesar de estarmos supostamente em pleno Carnaval. Neste sentimento de retrocesso, restou-me algum consolo na grande arte, aquela que revela nossas humanidades. Pois foram Almodóvar, Gonzaguinha e Genin que vieram em meu socorro, nesta trincheira emocional em que enfrento Putin e seus asseclas de gravatas enfeitadas com ouro e rifles espalhados pelo mundo. O filme “ Mães paralelas ” parece-me feito por um homem que procura ver pelos olhos das mulheres as suas questões mais delicadas e profundas. Almodóvar faz um relato impecável e emocionante sobre duas mães no mundo contemporâneo e suas ligações com a história das mulheres na Espanha massacrada pelos fascist...

Secos e molhadinhos

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Hoje, estas fotos completam 40 anos. Thalma estava grávida da Ana e fomos passar o Carnaval em Lambari, cidade de minha família.  Em busca de alguma ideia para brincarmos, Thalma, que sempre gostou do Ney Matogrosso, sugeriu que formássemos um grupo à semelhança dos Secos & Molhados, que desfrutavam de grande popularidade na época. Ela nos "produziu" e assim posamos na sala de visita da casa de meus pais: da esquerda para a direita (de pé) Ernesto Rodrigues (um dos maiores jornalistas do país), eu (um dos maiores cartunistas do bairro Itapoã), João Bosco Franco (um dos maiores publicitários da América Latina), (sentados) Eugênio Rodrigues (um dos maiores ex-prefeitos do Hemisfério Sul) e Cláudio (um dos maiores amigos do Eugênio, com a cueca mais preta de todo o Universo).  Minha avó Helena, quase de joelhos, pedia: "Meu filho, não vá para a rua assim, não faça isso! Você é um homem casado, vai ser pai de família e é um médico! Pelo amor de deus!". ...