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Eliane Brum: pânico ou esperança?

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  Ler Eliane Brum exige coragem, porque quem a conhece sabe que ninguém termina seus textos indiferentemente. Foi com a disposição de ser profundamente tocado e modificado pelas ideias que li “Banzeiro Òkòtó – uma viagem à Amazônia centro do mundo” , seu último livro. Eliane Brum, jornalista e escritora internacionalmente reconhecida, para além de seu engajamento intelectual, mudou-se para Altamira, no Pará, em corpo, alma e mais-que-humana presença na defesa dos povos-floresta, sendo este termo, povo-floresta, um dos aprendizados transformadores que encontramos no livro, um relato transpessoal e profundo da luta decisiva que acontece numa das fronteiras mundiais do avanço capitalista, a Amazônia. No clima de guerra pela sobrevivência dos povos-floresta – e da humanidade - Eliane e companheiras criaram a organização jornalística combativa SUMAUMA , por meio da qual trazem informações fundamentais sobre as relações entre o desmatamento, o garimpo, as madeireiras, as estatais, a viol...

O sumiço do xamã

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Comecei a ler “O sumiço do xamã” porque conheci seu autor ainda menino, o Estevão Senra, filho de amigos meus, João e Pita, companheiros de lutas em defesa do meio ambiente desde a década de setenta. À medida que lia, fui encontrando um escritor maduro, com um olhar e uma linguagem originais sobre os povos da Amazônia.  O livro pode ser encontrado na www.editoraramalhete.com.br Ao final da coletânea de contos escritos com humor aguçado para nossa humanidade e olhar crítico para nossas desumanidades, percebi que jamais me esquecerei dos personagens que Estevão nos apresenta: o xamã desaparecido, o índio que trocou sua filha por uma espingarda, a namorada que veio de outra aldeia, o barco misterioso que flutua pelo rio sem encontrar um porto e tantos outros. O livro do Estevão irá para um lugar especial em minha estante: entre o seu amigo yanomami Davi Kopenawa (A queda do céu) e o polêmico Napoleon Chagnon (Nobres selvagens - minha vida entre duas tribos perigosas: os ianomâ...