Eliane Brum: pânico ou esperança?
Ler Eliane Brum exige coragem, porque quem a conhece sabe que ninguém termina seus textos indiferentemente. Foi com a disposição de ser profundamente tocado e modificado pelas ideias que li “Banzeiro Òkòtó – uma viagem à Amazônia centro do mundo” , seu último livro. Eliane Brum, jornalista e escritora internacionalmente reconhecida, para além de seu engajamento intelectual, mudou-se para Altamira, no Pará, em corpo, alma e mais-que-humana presença na defesa dos povos-floresta, sendo este termo, povo-floresta, um dos aprendizados transformadores que encontramos no livro, um relato transpessoal e profundo da luta decisiva que acontece numa das fronteiras mundiais do avanço capitalista, a Amazônia. No clima de guerra pela sobrevivência dos povos-floresta – e da humanidade - Eliane e companheiras criaram a organização jornalística combativa SUMAUMA , por meio da qual trazem informações fundamentais sobre as relações entre o desmatamento, o garimpo, as madeireiras, as estatais, a viol...