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Mostrando postagens com o rótulo política

Podemos voltar a conversar?

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  I’m Quem ainda não disse, exasperadamente, que não é mais possível conversar com “eles”? Aprendi no livro “ Open Socrates ” da brilhante filósofa Agnes Callard, que um verdadeiro diálogo em busca da verdade nas questões fundamentais só é possível por meio da conversa racional com outra pessoa, pois ninguém consegue ver os defeitos dos seus próprios argumentos.  Este diálogo socrático precisa ser sincero, ou seja, a pessoa deve apresentar sua opinião e tentar convencer a interlocutora, mas, ao mesmo tempo, deve estar disposta a ouvir e ser convencida pelos argumentos contrários e, portanto, estar disposta a mudar de ideia. De imediato, pensando “neles”, percebemos que é praticamente impossível este tipo de diálogo porque acreditamos: “eles” jamais se convencem de que estão errados! No entanto, e do meu lado, estou disposto a ser convencido por argumentos e ideias “deles”? Mesmo quando se trata de diálogos sobre fatos medidos e observados, como nas discussões científic...

O último outono

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Ser de esquerda?

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Recebi de alguns amigos o texto anônimo que reproduzo abaixo, sobre o qual tive algumas dúvidas ( apresentadas entre parênteses e em negrito ). O QUE É SER DE ESQUERDA? Ser de esquerda não é votar no João ou no Mário. É votar no ideal de fraternidade e solidariedade que João e Mário carregam ( representam, não seria um termo melhor? Voto neles porque seu trabalho comunitário demonstra o compromisso de João e Maria com estes ideais ). A esquerda não é contra o empresário ( não  depende do tamanho da empresa, porque por trás de toda fortuna não há um crime qualquer? ). A esquerda é contra o desrespeito aos direitos trabalhistas. A esquerda não é contra a família tradicional ( aquela que bate nas crianças e oprime as mulheres? Ou está falando apenas a “tradicional” no sentido do casamento entre os gêneros homem-mulher? ). A esquerda apenas tem a consciência de que famílias diferentes da tradicional também são famílias e merecem ter seus direitos protegidos. A esquerda não quer q...

O voto do meu vizinho

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De início, fiquei surpreso quando minha mulher comentou que soubera em quem a família do nosso vizinho de cima havia votado nas últimas eleições, mas aos poucos fui vendo que fazia todo sentido. Lembrei-me de suas roupas, suas posturas nas reuniões do condomínio e de sua maneira de entrar com o carro na garagem e me senti ingênuo por não ter desconfiado antes. Seu carro, aliás, era demonstração mais que evidente de que não poderia ser outra a sua opção política. Estacionava sempre no limite com a outra vaga e ligava o motor um ou dois minutos antes de sair, algo absolutamente desnecessário nos carros atuais, enquanto ficava fuçando no celular e enchendo a garagem com o cheiro de gasolina. Sua maneira de tratar os porteiros e o pessoal da faxina também deveria ter despertado minha desconfiança, porque era aquele jeito típico de relação patrão empregado que conhecemos muito bem, aquela coisa paternalista e fingida adotada pelos seus colegas de política. Mas bastaria eu ter prestado mai...

Pânico e circo

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Aoutrocrítica

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Henfil, o palestino

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Há 30 anos morria Henfil, talvez o cartunista que mais tenha influenciado a opinião pública brasileira, especialmente nas décadas de 70 e 80. Ele esteve presente de corpo e arte e foi um dos mentores dos grandes movimentos nacionais pela Anistia, pelas “Diretas Já”, pela Constituinte e pela fundação do Partido dos Trabalhadores. Henfil não sobreviveu à AIDS, contraída em transfusões de sangue para tratamento de sua hemofilia, e não pode ver alguns resultados de suas lutas políticas. A Anistia ficou pela metade, sem punição dos torturadores, os quais voltaram a receber apoio de Bossalnaros e de parte de uma geração desinformada sobre o que é uma ditadura militar. As “Diretas Já” resultaram na eleição indireta do Tancredo Neves, que morreu na praia e deixou em seu lugar o latifundiário José Sarney e uma sequela chamada Aécio Neves, seu neto. A Constituinte foi capaz de, surpreendentemente, construir uma Constituição que procurava garantir direitos sociais e nos transformar numa nação m...

Guerra de Facções

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Este cartum foi inspirado da palestra lúcida e contundente realizada pelo brilhante professor de filosofia da UFMG Newton Bignotto, durante o ciclo de conferências “Dissonâncias do Progresso” que está sendo realizado no BDMG ( VER AQUI) .

Não posso me desesperar

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Diante do diagnóstico da doença genética e incurável de uma de nossas filhas, Thalma ouviu da amiga e pediatra Cleonice Mota que precisávamos manter a calma para podermos ajudar nossa menina. Apesar de não sermos culpados pela sua doença, éramos responsáveis pela sua vida. Não adiantaria fugirmos para Manchester ou Toronto, porque isso em nada mudaria a situação. Não havia cura, é verdade, mas havia tratamentos. Hoje vivo um momento semelhante em meu país, assustado diante de uma sociedade injusta, violenta e governada por corruptos, com nossa população agressivamente se dividindo em grupos intolerantes. Vontade de fugir para Minas, mas Minas não há mais, a lama da barragem levou. Vontade de gritar, mas a rouquidão depois dos sessenta deixou minha voz débil e inaudível. Nem mesmo morrer adiantaria: apenas um caixão a mais para ser carregado. Sempre fui da classe média, filha mimada na ditadura militar, que cresceu esbanjando Miami e importados, individualista e cheia de superioridades...

Médicos sem limites?

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Tento compreender as atitudes recentes de alguns médicos e uma médica durante o adoecimento e falecimento da senhora Marisa Letícia Lula da Silva, que me causaram perplexidade e tristeza [1] . Tenho o dobro da idade dos médicos que se comportaram de forma extremamente agressiva numa situação em que acredito que deveria prevalecer a proteção profissional a uma pessoa doente e sua família. Desejo que estes jovens colegas vivam tanto quanto eu para aprenderem, e acredito que todos podemos nos transformar com a experiência, como eu venho aprendendo com o tempo “que a delicadeza é a mãe de todas as virtudes” [2] . E certas virtudes são necessárias para sermos bons médicos. Não imagino que as pessoas que se formam em medicina sejam seres especiais invulneráveis aos impulsos humanos como os demais. Não penso assim. Mas somos, médicos e médicas, pessoas privilegiadas por diversas razões e os privilégios que recebemos, a meu ver, resultam em compromissos morais para com a sociedade que nos pe...