MANÉCÔMIO
Sinto raiva e pesar pelos manés diante dos quarteis. Raiva, pelas perdas e danos que já causaram e ainda podem causar. E pesar, como diante de pessoas acometidas por doenças graves e incuráveis, mas que talvez pudessem ter sido evitadas. Como disse o médico e escritor Rômulo Paes , ontem, na reunião dos amigos Facundos, - estes indivíduos nas portas dos quarteis, sob sol e chuva, são órfãos. Órfãos da globalização que atingiu os nacionalismos. Órfãos do machismo tóxico não mais tolerado. Órfãos do controle que exerciam sobre a sexualidade alheia. Acrescento, órfãos da meritocracia - que não os tornou aquilo que esperavam, órfãos da família patriarcal autoritária, órfãos das tradições religiosas - criticadas pelo materialismo, órfãos da juventude perdida nos afazeres da classe média e órfãos de um pai castrador e violento. São pessoas que nunca haviam ido para as ruas em defesa de causas coletivas, como diretas já, democracia, preservação da Amazônia ou pelo fim da fome. Agora, qu...