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Ainda estamos aqui... eles também

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  Na semana passada, que antecedeu a tempestade política que se aproxima com a conclusão do julgamento dos bandidos - que planejavam um golpe de estado com o assassinato de Lula, Alckmin, Moraes e possivelmente inúmeras outras pessoas, - estive junto com dois jovens e grandes cartunistas, o curitibano Guilherme Caldas e o franco-brasileiro Matthias Lehmann (aliás, sobrinho do mineiro Roberto Drummond), participei da exposição e da mesa redonda intituladas “Ainda estamos aqui”, que foi mediada pela professora de História Mara Barbosa , durante a Bienal de Quadrinhos de Curitiba, a oitava edição que terminou ontem com a participação de milhares de visitantes. Cada um de nós respondeu a perguntas da Mara e da plateia sobre nossos próprios livros, cujos temas têm em comum o fato de que são histórias sobre o período da ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1984. Falamos então sobre o meu “ Retrato Falado” (3 edições 1978, 2003 e 2023), depois “ 1968 - Ditadura Abaixo ” de Teresa Ur...

A História continua!

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(*)  Texto do Diego e da Júlia.

A história em quadrinhos sobre a Amazônia

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Como prometi num blog anterior, apresento esta história em quadrinhos, que fez parte de uma revista destinada à Educação Ambiental, publicada em Belo Horizonte, em 1979 , pela Editora Vega.  O tema e o roteiro foram desenvolvidos por mim, com a colaboração dos cientistas Marília Vieira e Hamilton Prado Bueno.  A seguir encontra-se a cópia digitalizada do meu único exemplar disponível, cuja conservação está bastante precária, em virtude do papel de baixa qualidade, que se tornou amarelado pelo tempo.  Na cartilha, foram publicadas também outras histórias dos cartunistas Melado, Wagner e Augusto (Filó), aos quais convido para reproduzirem as suas páginas aqui, se o desejarem. A primeira edição foi de 5 mil exemplares adquiridos e distribuídos por entidades de defesa do meio ambiente, por sindicatos de trabalhadores e associações de bairro, tendo sido traduzida em algum lugar, se não me falha a memória.  40 anos depois, v ale a pena conferir as infor...

O recruta sociopata

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Meu interrogatório no exército foi interrompido por alguns instantes para que dois capitães combinassem na minha frente algo pessoal entre eles, um aniversário de crianças, se não me falha a memória, para em seguida um deles retomar as perguntas aos berros. Fiquei perplexo por instantes ao constatar que aqueles dois indivíduos eram pessoas comuns, tinham família, filhos e uma vida social além das paredes sinistras daquele setor de inteligência militar nas dependências do 12º Regimento de Infantaria em Belo Horizonte. Exatamente meio século depois, compreendo melhor que vivíamos naquele cubículo os efeitos da radicalização política extrema, que transforma os adversários em inimigos, desumanizando-os até que se tornem “eles”, os vermes, os traidores, os que não merecem viver. Humilhá-los, torturá-los e eliminá-los é como lidar com animais de alguma espécie peçonhenta. O destino mais terrível para “eles” não causa pena, culpa ou arrependimentos em “nós”. Pelo contrário, apresenta-se par...

Questões de Segurança Nacional

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Thriller

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31 de março

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Hoje, 31 de março, completam-se 55 anos do golpe civil militar no Brasil. Momento este que interrompeu, de forma grave, longa e dolorosa, o processo de construção democrática no país. As duas décadas de regime autoritário nos legaram a destituição ilegal de um presidente democraticamente eleito, o assassinato por razões políticas de 434 pessoas, a tortura de 20 mil cidadãos, a perseguição e destituição de 4.841 representantes políticos eleitos em todo o país, a censura de estudantes, jornalistas, artistas e pensadores entre tantos outros crimes, praticados pelo estado ou com a conivência deste, deixando cicatrizes institucionais cujas consequências são perceptíveis até os dias de hoje. Isto sem mencionar as profundas sequelas que estas incontáveis violações a direitos humanos fundamentais deixaram nas vítimas diretas e indiretas em matéria de integridade física, mental e emocional. A abertura democrática que sucedeu este período sombrio de nossa história, com todos os seus perca...

Inconstitucionalíssima Mente

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Henfil, o palestino

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Há 30 anos morria Henfil, talvez o cartunista que mais tenha influenciado a opinião pública brasileira, especialmente nas décadas de 70 e 80. Ele esteve presente de corpo e arte e foi um dos mentores dos grandes movimentos nacionais pela Anistia, pelas “Diretas Já”, pela Constituinte e pela fundação do Partido dos Trabalhadores. Henfil não sobreviveu à AIDS, contraída em transfusões de sangue para tratamento de sua hemofilia, e não pode ver alguns resultados de suas lutas políticas. A Anistia ficou pela metade, sem punição dos torturadores, os quais voltaram a receber apoio de Bossalnaros e de parte de uma geração desinformada sobre o que é uma ditadura militar. As “Diretas Já” resultaram na eleição indireta do Tancredo Neves, que morreu na praia e deixou em seu lugar o latifundiário José Sarney e uma sequela chamada Aécio Neves, seu neto. A Constituinte foi capaz de, surpreendentemente, construir uma Constituição que procurava garantir direitos sociais e nos transformar numa nação m...

Versos e reversos

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Diante do velho prédio da Escola de Engenharia, agora fechado e ocupado por famílias sem teto acampadas sob a marquise de sua escadaria, o rádio do carro toca “para não dizer que não falei de flores”, a canção de Vandré, enquanto continua o engarrafamento por causa do motoqueiro derrubado no asfalto. Nas escolas, nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção Subi por aqueles degraus, há quase meio século, sem saber que as pessoas na reunião para a qual havia sido chamado pretendiam que eu saísse dali como o candidato de consenso das organizações de esquerda para a presidência do Diretório Central dos Estudantes de Minas Gerais. Há 50 anos, passei pelo porteiro, figura quase decorativa que recebia correspondências e dava informações, e segui para o terceiro andar sem dificuldades, pois não havia cancelas, câmeras ou vigilantes nas unidades da universidade naquela época. Depois de seguir os procedimentos para confirmar que não estava sendo seguido, entrei nu...