Damasceno e seus dois irmãos mais novos herdaram um pequeno sítio nas franjas da Serra da Campanha e criavam algumas poucas vacas, porcos, galinhas, patos, uma égua branca e um grupo de quatis que desciam da mata próxima para fuçar os restos da ração dos animais domésticos e acabaram por se tornar habitantes permanentes da propriedade, além de passarinhos e aves maiores, como pombas, gaviões e saracuras. Havia também um pouco de arroz, de feijão, milho, cana, uns pés de café, umas fileiras de verduras e folhas na horta. A habilidosa mulher de Damasceno transformava em sobremesas e potes de conservas a fartura de um pomar com laranja, manga, abacate, mexerica, jabuticaba, pitanga, goiaba, mamão e limão. De vez em quando, uma tilápia fisgada no pequeno açude, que se formara pelo represamento de uma nascente da água translúcida que descia da serra, completava o sustento e a vida pacata de Damasceno, sua mulher, duas filhas e seus dois irmãos. Damasceno e sua família trabalhava...