Estou me tornando um zoom bi?
Depois de mais uma reunião virtual, na qual havíamos tentado reproduzir algumas formas do contato humano ao qual estávamos habituados, senti-me frustrado, esvaziado na alma, arrastando meu corpo pela casa, sem propósito definido além de manter o portão fechado e as máscaras à mão, meio morto meio vivo, aterrorizado com o recrudescimento da pandemia, quando completamos um ano de isolamento social submetidos à necropolítica dos bolsonaristas. À minha tristeza pela tragédia em curso se soma outra ao constatar que nossos contatos virtuais não são satisfatórios o bastante para afastar a saudade das pessoas queridas. Apesar de mensagens, áudios, vídeos, fotos e meetings, os afetos das amigas e amigos vão descolorindo, adquirindo o tom pastel dos papeis guardados pela longa ausência dos abraços e beijos. É sofrido o sentimento imediatamente após desligarmos o vídeo de uma conversa com uma pessoa distante que amamos, de tal forma que, quando chega a hora, minha neta se recusa a ser a pes...