Postagens

Mostrando postagens com o rótulo futuro

Carta para minhas netas e netos

Imagem
  Vocês eram crianças e se divertiam quando eu dizia que metade do que digo é mentira e a outra metade não é verdade. A metade-mentira era sobre o passado. Não que eu invente coisas que não aconteceram, mas sabemos que a gente edita e reedita nossa história continuamente, então, boa parte do que acreditamos que nos aconteceu é fruto da nossa mais involuntária imaginação. A metade que não era verdade são as coisas que digo sobre o futuro. É sobre esta parte que quero lhes falar hoje, pois tenho demonstrado um estado de espírito meio pessimista diante das ameaças que meu modo de pensar projeta para o futuro do mundo. Talvez minhas ferramentas de análise da realidade não sejam adequadas para vocês. Por exemplo, lembrem a medicina que praticava meu pai, - o bisavô Zezé de vocês, como era diferente daquela que tenho praticado e que, por sua vez, é distinta da praticada pela Luíza minha filha. Claro que temos princípios éticos em comum, mas nem o diagnóstico das doenças, - que em tese ...

Pela descriminalização de todas as drogas

Imagem
  Como nos alerta a própria capa deste do livro “ Um preço muito alto ” de Carl Hart, “não é sempre que lemos um livro que detona tudo que foi falado sobre drogas!” E olha que tive acesso à farmacologia de muitas delas e me julgava liberal e bem informado! Carl Hart nos fala sobre sua vida, um jovem que tinha grandes probabilidades de ser mais um homem negro capturado nas armadilhas do racismo e se tornou um neurocientista especializado em drogas numa das principais universidades norte-americanas. Ele mostra o papel dos acasos que o conduziram por trilhas diferentes de seus parentes e amigos. Este livro reorganizou minha visão sobre as drogas e definiu uma plataforma política para as drogas coerente com a ciência. Consistente com documentos científicos, Carl Hart recompõe as fronteiras da ciência (esgarçadas pelos tempos de opiniões e fake news) e apresenta justificativas racionais (políticas, econômicas, sociais, farmacológicas) para a descriminalização de todas as drogas (para q...

Perdendo a memória

Imagem
Meu amigo perguntou se certos esquecimentos que ele vem sentindo seriam sinais de demência senil ou Alzheimer. Pedi que me desse mais detalhes. Venho me esquecendo de como eram os encontros na minha família, disse ele, cabisbaixo. Tenho uma vaga lembrança de que era um tempo em que não havia tantos rancores do fulano, ou não falo mais com o beltrano, ou não se toca nesse ou naquele assunto com o ciclano. Não me lembro mais como era discordar das pessoas sem achar que suas ideias eram fruto do ódio ou da desinformação. Esqueci-me do jeito que a gente falava sobre o futuro, pois parecia mesmo haver um futuro, meio incerto, mas tínhamos planos para ele e sentíamos que, mesmo com idas e vindas, a maioria das pessoas desejava tempos melhores e caminhávamos adiante. Não me lembro da última vez que tive orgulho de ser brasileiro ao saber de alguma realização extraordinária de um companheiro de cidadania, alguma obra de gente dedicada ao seu povo. Estou me esquecendo de como era a alegria de...

Memórias futuras

Imagem