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Mostrando postagens com o rótulo isolamento

Câmeras fechadas

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  Aroeira e eu conversamos hoje sobre charges e cartuns com um grupo de estudantes (14 a 15 anos) por meio de videoconferência.  Não vou identificar quem são, pois meus sentimentos não são dirigidos apenas a este grupo, e nem estas pessoas são culpadas por uma pandemia que nos isolou há dois anos, em condições agravadas por uma gestão criminosa da saúde pública, que prolongou o sofrimento coletivo e causou a morte de centenas de milhares de pessoas por causa de sua ignorância e desprezo pela vida humana.  Poucas das pessoas presentes abriram suas câmeras durante as duas horas do encontro e foram as mesmas que toparam fazer perguntas e comentários. Senti enorme tristeza, angústia por não ver os rostos para quem Aroeira e eu tentávamos passar um pouco dos desafios e técnicas relacionadas com a nossa arte de fazer cartuns, charges, caricaturas e quadrinhos. Sei que é muito estressante para a maioria das pessoas, seres humanos que evoluíram para o contato social intenso, agu...

A importância de ser formiga

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  Francisco mostrou-me a aglomeração de formigas em torno do fragmento de presunto que caíra de seu sanduíche, enquanto lanchávamos no quintal, um espaço vital que temos a sorte de dispor para enfrentarmos de forma privilegiada o isolamento social durante esta pandemia que avança terrivelmente pelo mundo, em especial, pelas terras desgovernadas do nosso país. Passamos um tempo tentando compreender a lógica daquelas pequenas formas de vida, que se esforçavam para arrastar o precioso alimento para dentro do formigueiro, mordiscando, puxando, levantando, arrastando e aparentemente dividindo tarefas com alguns indivíduos maiores, dotados de mandíbulas poderosas, que cortavam o presunto em pedaços menores, mais fáceis de transportar.  Curiosos, conseguimos medir a velocidade média das formigas para virem do formigueiro (97 km/h) e para voltarem (46 km/h), embora não tenhamos atinado com um motivo explícito para esta variação. Depois de vários minutos, a equipe, formada por dezenas ...

Diário de isolamento 7 - O ouriço do mar

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Está difícil ficar longe da minha família, dos amigos, dos colegas de trabalho e das pessoas que atendo no hospital e no consultório, especialmente com a consciência de que não sabemos por quanto tempo ainda permaneceremos assim, em isolamento social para diminuirmos a velocidade da pandemia de coronavirus. Os vídeos compensam apenas em parte nossa necessidade de contato humano, do olhar do outro, pois na telinha estamos sempre mirando a imagem do interlocutor e não a câmera, o que impossibilita o fundamental olho no olho. Nossa espécie precisa sentir a presença física, real cheirosa e calorosa dos nossos semelhantes, senão enlouquecemos. Não somos ouriços do mar, aquele pequeno animal marinho que passa a maior parte de sua vida numa loca, sem se comunicar com seus vizinhos, e periodicamente lança seus óvulos e espermatozoides nas águas em função da luminosidade do ambiente. Há poucas semanas, Thalma e eu fomos à casa de praia de Romeu e Nina em Peracanga, próxima a Guarapari, com n...

isolamento - dia 5

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qual será o gosto do teu beijo, depois de tanto tempo separados? como estará a tua mão, depois de lavada milhares de vezes? como será nosso abraço, depois deste longo medo de nos tocarmos? tomaremos juntos uma cerveja com a língua amarga de estatísticas? comemoraremos a primavera, se o inverno se antecipou e inverteu o calendário? sairemos às ruas, se elas se tornaram desertos atravessados por caravanas de desempregados? como lamentaremos nossos mortos se muitos deles é que sabiam os velhos cânticos e orações? de que maneira chamaremos um ao outro, de meu bem, meu irmão ou de sobreviventes? como enfrentaremos os dias seguintes, a natureza ferida, a sociedade perversa dos homens e o terror indelével da epidemia de casualidades? nada sei sobre tudo isso, mas podemos descobrir juntos, se o amor nos reencontrar.