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Ao mestre, com gratidão

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  Acabo de ler A Caravela, do meu professor de quadrinhos e de história do Brasil, compadre, amigo e irmão de nanquim, o Nilson Azevedo, que carinhosamente me enviou um exemplar (no sentido mais profundo do termo) do seu livro. Esta edição d’ A Caravela (2022) é uma pequena amostra do humor e da alma deste cartunista pleno, o primeiro que conseguiu sobreviver do trabalho de cartunista nas terras de Minas sem se mudar para o Rio ou São Paulo, quando a cultura brasileira era (e continua sendo) colonizada pelos norte-americanos , mas também subcolonizada pelos cariocas e depois pelos paulistas. Basta lembrarmo-nos de alguns dos artistas mineiros que precisaram migrar para o Rio, como Drummond, Guimarães Rosa, Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Borjalo, Ziraldo, Henfil e Nani e por lá ficaram. Depois da ousadia do Nilson, permanecemos, seus discípulos, reunidos em Minas em torno de projetos regionais de resistência contra a ditadura, como o Humordaz, o Grupo Mineiro de Desenho, os Ca...

Nossa voz, Angeli

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  Soube pelos jornais que Angeli está com afasia e por isso deixará de nos alimentar politicamente com sua arte na Folha de São Paulo. Angeli é um artista inspirador para todos nós e o vídeo Angeli 24 horas nos mostra isso de forma maravilhosa. A doença de Angeli nos espanta: ele, que sempre falou por tantos de nós, não mais o poderá fazer. Terá se cansado de denunciar a pandemia de estupidez que vivemos? Sem seus cartuns, ficamos afásicos todos nós. Imagino e lamento profundamente o sofrimento pelo qual Angeli e sua família possam estar passando neste momento. Desejo-lhes solidariedade, amizade e bons cuidados da medicina. Com a admiração de sempre, Lor

A história em quadrinhos sobre a Amazônia

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Como prometi num blog anterior, apresento esta história em quadrinhos, que fez parte de uma revista destinada à Educação Ambiental, publicada em Belo Horizonte, em 1979 , pela Editora Vega.  O tema e o roteiro foram desenvolvidos por mim, com a colaboração dos cientistas Marília Vieira e Hamilton Prado Bueno.  A seguir encontra-se a cópia digitalizada do meu único exemplar disponível, cuja conservação está bastante precária, em virtude do papel de baixa qualidade, que se tornou amarelado pelo tempo.  Na cartilha, foram publicadas também outras histórias dos cartunistas Melado, Wagner e Augusto (Filó), aos quais convido para reproduzirem as suas páginas aqui, se o desejarem. A primeira edição foi de 5 mil exemplares adquiridos e distribuídos por entidades de defesa do meio ambiente, por sindicatos de trabalhadores e associações de bairro, tendo sido traduzida em algum lugar, se não me falha a memória.  40 anos depois, v ale a pena conferir as infor...

Cartunista de 66 anos se comunica com crianças de 9?

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Hoje estive na Escola Maple Bear de Belo Horizonte para falar de cartuns e quadrinhos a pedido do professor de arte e colega cartunista André. Conversei com um grupo interessado de crianças em torno dos nove anos de idade, entre elas minha neta Alice, sobre tirinhas, quadrinhos, charge, cartum e caricatura, como me pediram. Primeiro, mostrei às crianças alguns quadrinhos, seis tirinhas do personagem Telinho, selecionadas ontem entre cerca de 700 publicadas na década de oitenta no jornal O Globo do Rio de Janeiro.  Aparentemente, as crianças entenderam e acharam engraçadas as tiras que reproduzo abaixo, mas elas não interpretaram as tiras como crítica, mas simplesmente como engraçadas, reforçando minha impressão de que há uma distância entre a intenção do cartunista e a percepção do espectador de outra geração. Depois mostrei a charge abaixo, sobre o desabamento de um viaduto em Belo Horizonte. Embora as crianças tenham compreendido que o viaduto desabou sobre um caro...