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Mostrando postagens com o rótulo patriotismo

O dia em que lutei contra Napoleão

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Eu não sabia que ainda viveria mais 70 anos, mas minha vida parecia plena naqueles últimos acordes da Abertura 1812 de Tchaikovsky, que meu pai me fizera ouvir enquanto descrevia vividamente as cenas que ele imaginava estarem sendo representadas nos diversos momentos daquela música. Com uma das mãos empunhando uma batuta imaginária, ele regia a orquestra que inundava de sons majestosos a biblioteca de nossa casa, emanados do disco de vinil vendido pela revista norte-americana Reader’s Digest. Papai alternava sua narrativa com breves assobios acompanhando a melodia. Veja, meu filho, no começo, o coral de vozes dos padres ortodoxos com suas longas barbas... eles cantam pedindo a deus que salve sua querida Rússia do avanço implacável do imperador francês, o Napoleão, aquele que traiu a Revolução Francesa... agora, ouça, surgem ao longe as cornetas do poderoso exército francês se aproximando, com alguns toques do hino da França, a Marselhesa. A melodia agora se apressa agitada como a not...

Meu primeiro 7 de setembro

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  É possível que este próximo sete de setembro se torne uma data marcante, seja porque teremos sofrido mais um golpe militar, seja porque todas as ameaças fascistas não terão passado de mais um blefe para continuar o processo de corrosão da frágil democracia brasileira. De qualquer forma, esta data já me é inesquecível desde o tapa que levei de minha mãe por me recusar a vestir o uniforme da escola, com o qual deveria desfilar pelas ruas de Lambari nas comemorações do 7 de setembro de 1958. Ter que vestir aquela roupa e marchar batendo os pés ao compasso de uma banda militarizada pareceram-me coisas ridículas de se fazer, ainda que eu não soubesse justificar à época o porquê da rebeldia. Talvez fosse o embrião da visão internacionalista que amadureceria em mim com os anos, opondo-me aos diversos patriotismos que infestam nossa humanidade. Minha mãe, aprisionada pela crença na pedagogia violenta da época, lascou-me um tapa na perna direita com tanta força que aos prantos me su...

País de todos ou pátria amada?

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Vejo que vários governos já estão vacinando sua população contra o coronavirus e imagino se estes governantes são pessoas que se sentem parte de um povo, ou se assumem como líderes de uma nação ou aceitam a responsabilidade pela defesa dos cidadãos de seus próprios países. Entre nós, aqueles que dizem amar a pátria preferem nada fazer para salvar milhares de vidas, que poderiam ser poupadas pela vacinação em massa. Há uma lógica perversa nesta escolha genocida, além do desprezo pela ciência e pelo bom senso? Talvez a palavra pátria contenha em si os signos necessários para penetrarmos nas mentes sombrias que nos governam nestes tempos. Qual é o sentido no qual os amantes do verde-amarelo das bandeiras e hinos transformaram o conceito de pátria? Dizem que nós, enquanto bebês, somos egoístas natos até uma certa idade, pois preferimos destruir o terceiro biscoito do que permitir que o outro bebê fique com dois e nós apenas com um. No começo de nossas vidas, gostamos das pessoas próximas ...

Pátria amada

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