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Não quero mais matar alguém

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Depois de meses de terrorismo de estado e de uso da máquina pública a favor de Bolsonaro, veio o domingo e ele perdeu as eleições - porque teve menos votos no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do que recebera em 2018 - e Lula liderou - com a alegria do Nordeste - a maior votação da história concedida a uma frente ampla em defesa da democracia. No meu choro, ao final da apuração, havia desabafo, exaustão e a percepção de que eu não mais morreria em breve - de bala, raiva ou definhamento, - como vinha sentindo que aconteceria, se tivesse que enfrentar mais quatro anos de destruição social bolsonarista. Vivemos nestes últimos anos uma política de terra arrasada – literalmente – da extrema direita, tão violenta e absurda que continuo perplexo sobre como é possível alguém apoiar o projeto bolsonarista. Por isso, tenho tentado entender esse apoiador, encontrar alguma justificativa – psicológica, sociológica, econômica, psiquiátrica, o que for - que o conserve aos meus olhos como um ser ainda perte...

A manhã do outro dia

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- Nunca mais vou conversar com gente que votou nele! - Com ninguém?! - No máximo bom-dia, boa-tarde... e somente com quem sou obrigado a encontrar no trabalho! - Puxa! Então você vai parar de falar com... metade da população! - Isso. - Mas... e se for uma pessoa jovem, muito influenciada pelos pais? - Bom... talvez seja uma exceção... jovens têm potencial para amadurecer, compreender melhor o mundo... mudar... - E a pessoa desinformada, praticamente analfabeta? - Ah, essa não tem culpa, foi manipulada, não é apoiadora dele, de verdade... - E nossos pais, idosos, doentes, inseguros e com medo de tudo? - Aí, você está falando de gente vulnerável... sua visão de mundo fica prejudicada... dá para compreender... - E nossa tia religiosa? - É... as pessoas religiosas acabam seguindo pastor, padre... podem ser iludidas pelo bispo, pelo papa! ... paciência... - E quem acreditou de boa-fé nas notícias sobre corrupção do adversário e sua família? - Ah, é difícil resist...