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Mostrando postagens com o rótulo Darcy Ribeiro

Machistas graças a deus

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  Para Cris e Zé Com 40 anos de atraso li o romance “ O Mulo ” de Darcy Ribeiro, escrito cerca de 30 anos depois que Guimarães Rosa publicara “ Grande Sertão: Veredas ”. Todo este tempo foi necessário para que eu pudesse compreender melhor o que está escrito nestes livros. Sem spoiler, o paralelo entre os dois personagens principais, Coronel Filó e Riobaldo, é inevitável: ambos são fazendeiros poderosos, cercados de jagunços fiéis, vivendo seus últimos dias no interior do Brasil, depois de terem passado por tempos de violência e paixões. Sabemos de suas histórias pelos monólogos que realizam, recordando suas lutas e vivências – o Mulo, apelido do Coronel Filó, - numa confissão escrita a um suposto padre, e Riobaldo conversando prolongadamente com um interlocutor da cidade, nós os leitores. Ambos os personagens são católicos e questionam seus destinos nas mãos de Deus, do Diabo, remoendo episódios cruciais de suas vidas em busca de compreensão e sentido. Apesar de estilos literário...

Onde está o Álvaro?

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  Imagine estar presente na sala em que Xi Jinping e Vladimir Putin decidem os próximos passos na invasão da Ucrânia e, por algum motivo fortuito, você acaba se tornando uma peça fundamental no destino da humanidade. Você teria tudo para se tornar um dos personagens que o jornalista (e amigo) Álvaro Nascimento reuniu no seu último livro “Incógnitos”. São dez figuras interessantíssimas, reunidas num estilo entre o documentário e a ficção, que garante uma leitura envolvente e repleta de informações históricas cuidadosamente recolhidas pelo Álvaro. Não se consegue parar de ler cada capítulo, à espera do desenlace da história humana de cada personagem, ainda que saibamos o final da História. Conhecendo o autor e sua trajetória jornalística e política, obtive uma satisfação extra na leitura, pois fiquei tentando descobrir em cada história: onde estaria o Álvaro? Certamente podemos identificar o militante, o jornalista, o brasileiro apaixonado pelo nosso país, o democrata visceral em ca...

Bastidores de uma caricatura - Darcy Ribeiro

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Darcy Ribeiro causou-me fortes impressões desde menino, quando a primeira informação que recebi sobre ele foi de que se tratava de um comunista perverso que queria destruir a família brasileira. A primeira "caricatura" do Darcy, portanto, foi-me ensinada na década de sessenta pela Igreja Católica, essa mesma do Papa Francisco. Depois, já convertido para a oposição à ditadura militar, redescobri o Darcy como um dos heróis brasileiros no exílio, justamente por ter tentado melhorar a vida da família para TODES os brasileires. Na década de 80, li seu livro KADIWEU, baseado no estudo antropológico que realizou durante muitos anos entre os Guaicuru, que me impressionou tanto que criei um personagem de quadrinhos incorporando sua descrição do semideus Kadiweu, o Gu-Ê-Krig. Aí, Darcy aderiu ao Brizola e passei a vê-lo como um populista estagnado no tempo. Parei de ler suas coisas. Em 1995, dois anos antes dele morrer, vi uma entrevista sua e me encantei de novo com aquela pessoa apai...