Confesso, meritíssimo: sou cúmplice de Lula, e há muito tempo. Comecei a seguir sua liderança desde a fundação do partido dos trabalhadores num colégio em São Paulo, aonde comparecemos os mineiros numa caravana de ônibus levando várias ideias descartadas pelos paulistas, mas, tudo bem, acatei o comando daquele metalúrgico que se dizia não ser socialista nem ateu, como eu gostaria. No mesmo ano de 1980, meritíssimo, aceitei o convite do grupo de Lula para criar e desenhar uma cartilha chamada Documento de São Bernardo, que passo às suas mãos para que inclua nos autos, a qual continha os princípios gerais do movimento político que se reunia em torno da fundação do partido dos trabalhadores. Há neste texto uma defesa explícita de que deveríamos criar um partido de baixo para cima (isso, excelência, página doze, por favor), para evitarmos a corrupção da política pelo poder financeiro e eu acreditava que, para isso, deveríamos construir uma consciência política bairro a bairro, casa a cas...