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O grito libertador de Cau Gomez

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O desenho acima, de Cau Gomez , é um dos seus cartuns nada cordiais que denunciam o racismo e o patriarcado violentos e estruturais de nossa sociedade. Ele foi publicado em todo o Brasil numa das investidas no Congresso da bancada do Boi, Bíblia, Bala e Brancos contra o direito legal de meninas estupradas interromperem a gravidez resultante da violência. Acabo de receber seu livro “ Sorria, você está sendo... ” com este e dezenas de outros cartuns impactantes e uma dedicatória amorosa, pois somos amigos desde quando Cau era um jovem iniciante nesta arte na qual ele se tornou um mestre.   Cau é um cartunista que utiliza sua pintura como dinamite e as heranças da escravidão negra como a alma de seu trabalho. Cada página de seu livro é lançada com a maior força gráfica possível contra os múltiplos pilares de uma sociedade patriarcal violenta supremacista branca capitalista e imperialista. Humor é uma forma de resistência. O humor de Cau é libertação identitária das correntes...

DESMONUMENTOS

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Ao contrário de derrubar estátuas de outros tempos e apagar a memória coletiva (ainda que dolorosa), sou a favor de construirmos outros monumentos (desmonumentos) bem na frente daqueles existentes que homenageiam escravocratas, torturado e genocidas. Dou algumas sugestões iniciais a seguir.

Pertencimento

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Depois de mais um dia de saudades das minhas pessoas queridas, que estão distantes pelo isolamento social por causa da pandemia, sentia-me com um vazio adicional no peito, com a percepção de certa ausência espalhada pela casa, como se esperasse a chegada de alguém, até que me dei conta: era a saudade de Bibiana e Belonísia! Ao anoitecer ao longo da última semana, havia me habituado a encontrá-las na leitura do romance Torto Arado, do autor baiano Itamar Vieira Junior, e suas histórias e personalidades haviam se tornado parte da minha vida e das conversas com Thalma, que lia o mesmo livro no kindle. Terminada a leitura há uns dias, motivados por esta saudade de Bibiana, Belonísia, Salu e a Santa Rita Pescadeira, algumas das personagens do Brasil profundo resgatado pelo autor, fomos ver sua entrevista no Roda Viva , que revela uma pessoa serena, esperançosa e coerente, com muito mais a nos dizer nos próximos livros que nos promete. Torto Arado, além de ser uma denúncia da exploração dos ...

O irmão branco (história infantil)

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Num lugar muito distante daqui, nasceram dois gêmeos idênticos, negros como toda a família do chefe. O costume da tribo dizia que o primeiro dos gêmeos era do bem e o outro do mal, então o segundo a nascer foi enviado para ser devorado pelos animais da floresta. Mas a pessoa que devia matar o menino ficou com pena daquela criança e a entregou para uma escrava branca, que cuidou dele. Para disfarçar sua origem, ela pintou o menino com giz e ele ficou branco como os outros escravos que trabalhavam nas minas de ouro. Os anos se passaram, o primeiro gêmeo se tornou o chefe e um dia ele se perdeu de sua guarda na floresta durante uma caçada. Andando sem rumo, o chefe se aproximou da lagoa perto da mina de ouro, onde viu um homem branco entrar na água para se lavar e sair dela completamente negro. Os dois se aproximaram e viram que se não fossem as roupas e a melhor saúde do chefe eles seriam idênticos. Uma simpatia uniu os dois imediatamente. Cubra-se com este giz branco para não ser agre...