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AppliCativos

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Entreouvido de dois motobóis que quase se chocaram na esquina próxima à minha casa: - Devagar, aí, cara! Tá querendo ficar rico? - Uai, tô! ... Cê não? - E tem chance? Eu já tava no vermelho antes de nascer, amigo... – Peguei com Jesus, irmão, tô na fé! – Ixxe! Não tenho nem pro dizm... – Então, fui! O motobói apressado acelerou empinando a roda da frente e alguns metros adiante foi abalroado por um carro que atravessava o mesmo cruzamento. Esparramou-se no asfalto, mas logo se levantou, zonzo, pegou o capacete e tentou erguer a moto. O dono do carro aproximou-se apavorado, celular na mão, oferecendo para chamar o resgate. O outro motoqueiro viu que os estragos eram de pouca gravidade e retomou seu caminho para entregar o sanduíche e o refrigerante solicitados pelo aplicativo, pelos quais iria receber, se nada mais de ruim lhe acontecesse, um dólar e cinquenta centavos. Lor PS: O desenho acima foi publicado na última edição da  revista Griffo   sem o texto...

Quatrocentas e cinquenta mil pessoas!

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Em 2015 realizei alguns desenhos (entre eles o da foto ao lado que pode ser vista em vários ônibus circulando em Belo Horizonte) para uma campanha da BHTRANS, para a prevenção de acidentes com motociclistas.  Desde então, minha atenção aumentou em relação aos motoqueiros e suas condições de trabalho. Compreendi um pouco melhor o terrível sistema de exploração econômica a que estão submetidos por empresas assassinas que cobram produtividade em condições desumanas.  Pude aprender um pouco mais sobre como a insegurança intrínseca às motocicletas é agravada pela legislação permissiva para a sua fabricação e pela falta de fiscalização governamental, além do despreparo dos próprios motoqueiros e do preconceito cultural dos demais motoristas. Na semana passada, saiu mais um resultado divulgado pelo DENATRAN sobre a tragédia causada por esta combinação cruel de fatores sociais e econômicos: cerca de 450.000 acidentes com motociclista num único ano.  São vítimas geral...