A multidão ocupou toda a ladeira que vai dar no cemitério de minha cidade, espremida entre as casas pobres, botecos e lojinhas de porta única, com seus moradores acostumados à janela e à passagem de cortejos fúnebres quase todos os dias, mas nenhum como aquele, da avó do senador, que antes de esfriar no caixão já deram seu nome para escola, hospital e ponte. Todo poderoso na região, veio gente de Brasília, prefeitos e políticos das redondezas, todos fazendo o máximo para serem vistos pelo senador e ao lado dele, que recebia ruidosos e intermináveis tapas nas costas e outros sinais de relações antigas em claras insinuações de grandes façanhas cumplicitárias em passagens vividas, que comprovavam a amizade profunda que todos correligionários tentavam demonstrar, disputando o espaço ao redor do homem órfão e escanteando adversários derrotados que cumpriam o doloroso dever de prestar também suas homenagens, rivalidades a parte, num momento de tanta dor pela morte da velhinha aos oitenta ...