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Mostrando postagens com o rótulo consumo de carne

Abandonar a carne ou a esperança

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  A frase do título deste post tomei emprestada do professor da UNICAMP Luiz Marques em seu livro fundamental “ O decênio decisivo – Propostas para uma política de sobrevivência ”. Quem ainda tem esperança de reduzirmos a catástrofe climática em curso, precisa ler a montanha de evidências científicas sobre o aquecimento global que Luiz Marques reuniu até março de 2025 (150 páginas de referências!): ver as propostas dele abaixo. Como ainda tenho esperança, meus votos para 2026 são continuar tentando participar dos movimentos contrários ao aquecimento do planeta. Por exemplo, abolir os combustíveis fósseis e, se possível, usar transporte público movido a eletricidade, de preferência metrô ou trem. Se inevitável o automóvel, que seja a álcool, com motor pequeno. Não comer carne, especialmente bovina, que é a principal causa de desmatamento e de grande parte do efeito estufa (emissão do gás metano), e trocar produtos do agronegócio pelos alimentos dos pequenos produtores agrí...

Veganos da periferia

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  Depois que publiquei minha decisão de parar de comer carne  por razões políticas, algumas pessoas amigas concordaram com esta opção, mas outras duvidaram da sua aplicabilidade, eficácia e segurança (ver abaixo). Minha justificativa política para não comer carne tornou-se mais forte nos últimos dias com dois novos artigos: 1) João Moreira Sales, na Folha de São Paulo, sobre como o boi substitui a floresta na Amazônia e causa (com o garimpo) o genocídio dos povos indígenas, como está acontecendo de forma terrível com os Yanomami. 2) George Monbiot, no The Guardian, sobre como a criação de frangos, porcos e visons em escala industrial é o laboratório onde estamos preparando a próxima pandemia de vírus letais originados em aves. Fica cada vez mais evidente que é justamente o consumo excessivo de carne  – pela minoria de pessoas que pode pagar por ela - que destrói as florestas brasileiras para o gado ou para as culturas de grãos que vão alimentar os animais para...

O elefante na sala (atualizado em maio de 23)

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  Desde que manifestei minha decisão política de não mais comer carnes (quaisquer), as reações têm variado desde o silêncio constrangido – Ih, outro vegano maluco?! - a comentários sobre saúde e alimentação ou preferências culinárias. Repito, é uma escolha política e não se trata de uma questão de preferência alimentar, culinária ou de saúde pessoal: é uma decisão de me opor à devastação da vida, causada pelo sistema capitalista em curso. Uma atitude que vem se somar às minhas escolhas em defesa da organização democrática da sociedade civil, na luta contra as desigualdades, contra a meritocracia, contra o racismo e contra o machismo.  São atitudes insignificantes diante do tamanho dos nossos problemas, mas são comportamentos que posso fazer agora, movido pelo pânico que Greta Thunberg nos alerta. No entanto, parece que quase ninguém quer falar sobre as relações entre desmatamento (e queimadas) na Amazônia – incluindo aqui seus efeitos sobre a crise climática e expulsão dos ...

Tempero do Neymar

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Alguém insistiu com meu neto Antônio, quando ele tinha 3 anos: - Come o bife de frango, Tom! - Frango? - Isso, come a galinha... - Galinha?! A gente come galinha!!!?? Seu espanto foi aumentando à medida que tentavam convencê-lo de que, sim, comemos galinhas, porcos, bois... - A gente come porco!!??? A gente come boi!!?? Desesperado, fugiu da mesa e desde então se recusa a comer carne sempre que pode. Agora, me tornei seguidor do Antônio, pois também não como animais mortos, por dois motivos. O primeiro, porque sim, concordo com ele que matar animais para comer é uma violência que cometemos contra seres não humanos que sentem dor, medo, aflição, desespero e desejo de viver como nós, humanos. Segundo, mas também importante, é porque ao comer carne tenho contribuído para a invasão de terras indígenas, para o desmatamento da Amazônia e para o aquecimento global. Parar de comer carne é pouquíssimo, eu sei, mas é uma das coisas que posso fazer. Se muita gente topar essa parada, quem sabe um ...