A outra margem do conflito
É mesmo difícil escolher um dos lados na guerra iniciada pelos russos contra os ucranianos, se ficarmos pensando na ambiguidade dos personagens envolvidos, como sugere o texto bem humorado do jornalista Moisés Mendes. Mas o conflito se torna mais compreensível, quando percebemos aquilo que muitos dos protagonistas têm em comum: a desconstrução da democracia. Além do apoio aos russos, há mais pontos de união entre bolsonaristas, que se dizem de direita, e certos grupos, que se dizem de esquerda, do que a gente imagina. Vou personalizar estes dois supostos polos com os nomes de Hitler e Stalin. Hitler desconfia da democracia pois a considera corrompida por leis que ameaçam os princípios da tradição, família e propriedade. Stalin, por outro lado, acha a democracia dominada pela grana da burguesia, muito lenta e incapaz de acabar com as desigualdades econômicas e sociais. Hitler defende governos fortes, ditaduras militares e autocracias exercidas pela elite econômica em benefício da...