A arte e a guerra
Nestes últimos dias, enquanto o governo nacional-capitalista russo massacra a Ucrânia e o mundo dá um passo atrás na sua delicada construção da paz verdadeira, aquela que só é possível sem desigualdades, torna-se ainda mais difícil respirar porque não conseguimos esquecer as tragédias das chuvas nem os mortos pela pandemia, apesar de estarmos supostamente em pleno Carnaval. Neste sentimento de retrocesso, restou-me algum consolo na grande arte, aquela que revela nossas humanidades. Pois foram Almodóvar, Gonzaguinha e Genin que vieram em meu socorro, nesta trincheira emocional em que enfrento Putin e seus asseclas de gravatas enfeitadas com ouro e rifles espalhados pelo mundo. O filme “ Mães paralelas ” parece-me feito por um homem que procura ver pelos olhos das mulheres as suas questões mais delicadas e profundas. Almodóvar faz um relato impecável e emocionante sobre duas mães no mundo contemporâneo e suas ligações com a história das mulheres na Espanha massacrada pelos fascist...