Virtudes virtuais
Não estou reclamando. O fato de estarmos sendo digitalizados em nuvens eletrônicas não é ruim e apenas segue uma longuíssima tradição humana. O que eram os totens e tabus, senão ficções compartilhadas por todos? Já fora de moda, eles não eram menos irreais do que nossas religiões monoteistas, ou nossas culturas paleolíticas, afrodescendentes ou civilizatórias. O que pode ser mais virtual do que um império, seja ele romano, chinês ou norteamericano, apesar da concretude das espadas e ogivas nucleares que em seu nome tomamos na cabeça? Unanimidade mundial, o dinheiro, por exemplo, não passa de convenção adotada por cristãos, muçulmanos e ateus de que aquele pedaço de papel vale realmente duas cebolas e uma vida miserável. Sem falar n os cartões de crédito, um dinheiro ainda mais virtual, no qual ninguém jamais botou a mão. Fronteiras e limites definidos em armistícios assinados por gabinetes civis e militares não passam de abstrações economicamente rentáveis, que formam currais de mão ...