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Mostrando postagens com o rótulo ciência

Mercadores do inferno

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  Outro dia comentei a importância do livro de Naomi Oreskes e Erik Conway “Mercadores da Dúvida” para o enfrentamento do aquecimento global que é causado pelo modo de produção capitalista e vem sendo agravado pelo fanatismo dos fundamentalistas do livre mercado que estão tomando de assalto governos e instituições democráticas para evitarem qualquer tipo de regulamentação de suas atividades econômicas predatórias. Além de mostrar cientificamente as causas do aquecimento global e as organizações de direita e extrema direita de negacionistas ativas, outra coisa que me encantou no livro foi a defesa que fazem e a compreensão profunda que a autora e o autor têm da ciência. Por isso, convido você a assistir o TED abaixo com a Naomi Oreskes (obrigado, Carol Vimieiro!), no qual ela soluciona maravilhosamente um paradoxo da ciência que vem me intrigando há anos, como tentei discutir numa carta para um aluno de mestrado com o título “ Entre Deus e o Orientador Ateu ”.   E qual é...

Bagaços

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  O aparente aumento do apoio popular a Bolsonaro significa que estamos começando a esquecer o imenso sofrimento causado pela pandemia de COVID? Foram mais de 660 mil mortes e dezenas de milhares delas teriam sido evitadas se uma milícia de extrema direita não houvesse tomado conta do governo. Qual é o balanço social deste tempo triste que vivemos? O saldo de dois anos e meio de pandemia, agora reduzida nos números por causa da vacinação (e transformada em endemia por decreto), tem sido o agravamento das desigualdades sociais, o aumento do risco de uma guerra nuclear e a menor articulação global para o enfrentamento da crise climática já em curso. Este tempo de dor e tristeza parece não ter abalado as convicções daquela parte da humanidade que é insensível ao sofrimento coletivo. Continua uma em cada quatro pessoas negando o racismo e os crimes da escravidão, sustentando o machismo assassino, defendendo os genocídios indígenas, provocando mais aquecimento global e culpando os pobr...

Galileu Galinhei e os negacionistas

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  Ontem, numa reunião virtual  ( vade retro COVID! ) entre amigos, as ótimas apresentações do livro de Mario Livio “Galileu e os negadores da ciência” (feita pelo Ivo Busko) e da peça de Brecht “Galileu Galilei” (feita pelo Paulo Camargos) despertaram em mim os personagens Gu-Ê-Krig (um deus Kadiweu da mitologia Guiacuru) e seu companheiro Galileu Galinhei (um frango que se tornou discípulo do filósofo Antônio Cícero), acima reaparecidos depois de anos ausentes. Em 2015, num surto de criatividade desenhei centenas de tiras sobre estes personagens. É a mais avançada criação em quadrinhos que conheço, tão avançada que ninguém entendeu. Foi minha tese em latim, pois consegui ser incompreendido por todo mundo. Quem quiser se arriscar a entender, VER AQUI  algumas tiras. A propósito de escrever ciência em latim (ou na língua dos inquisidores atuais - sic Paulo Camargos - o inglês), tenho defendido a publicação de nossos conhecimentos científicos em português, contrariando o si...

Olhe novamente para cima

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Na semana que passou, em meio às comemorações natalinas frustradas pela pandemia, dois acontecimentos demonstraram de formas diferentes o papel da ciência em nossas vidas: os lançamentos do fantástico telescópio espacial James Webb e do filme “ Não olhe para cima “. O primeiro acontecimento, o telescópio, cujo nome homenageia um dos principais idealizadores dos projetos da NASA, foi o resultado de um impressionante trabalho científico e tecnológico que durou décadas, o qual só se tornou possível pela cooperação internacional entre cientistas europeus, canadenses e norte-americanos e custou cerca de 10 bilhões de dólares. O novo telescópio, mais sofisticado, preciso e potente do que o já incrível Hubble, ainda está a caminho de sua posição estacionária no espaço, e já consumiu cerca de 40 milhões de homens-hora de trabalho, entre elas as horas de trabalho do amigo Ivo Busko, um astrofísico brasileiro que trabalha no projeto há doze anos. Este esforço internacional científico mostra a c...

O capitalismo e a inoCiência

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  O texto que postei ontem, MAMUTES NA SALA  , sobre a relação entre a crise climática e o capitalismo, recebeu alguns comentários de dois amigos cientistas, que valem a pena serem lidos. Disse o Romeu Guimarães: Novamente, problemas complexos, muitas janelas, nenhuma suficiente, todas necessárias... Uma das perplexidades que me deixa ´encucado´, no momento, é a miopia que acabei de perceber no comportamento de toda cultura ocidental (não falo das outras, porque conheço nada delas). Desde Thales de Mileto  (-624 a -548) até o século 20 (tipo 2500 anos transcorridos), ninguém percebeu o ´ ambiente ´. Isso significa uma decepção: eu pensava que os grandes pensadores vasculhavam metodicamente todos aspectos dos temas que abordavam, mas não, fixavam somente os aspectos que lhes incomodavam, que lhes apareciam como ´questões´ valiosas, e o ambiente nunca lhes incomodou; era tomado como fonte infinita de recursos e lixeira infinita para seus resíduos; ´taken for granted´, in...

Bolsonaristas também acreditam na ciência (atualizado em 5/3/21)

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  Ando pensando que os bolsonaristas são mais inteligentes e informados do que imaginamos, porque eles também usam os conhecimentos científicos sobre a COVID para defenderem suas condutas. Quando Bolsonaro nos disse, lá no começo da pandemia, que a COVID é uma gripezinha e que quanto mais rapidamente as pessoas se contaminarem melhor, pois atingiríamos a tal imunidade de rebanho e a epidemia se controlaria espontaneamente, ele estava apresentando sua interpretação das informações científicas às quais seu grupo teve acesso naquele momento e, a partir de então, defende o discurso de deixar rolar. Por exemplo, o dado epidemiológico de mortalidade de 1% das pessoas infectadas, especialmente aquelas com fatores de risco, idosas, mulheres gestantes, mais pobres, índios e quilombolas, ou seja, um bando de maricas sem histórico de atletas, representa uma perda absolutamente insignificante para quem não é capaz de se colocar no lugar do outro, daquele que sofre. Do ponto de vista daquele qu...

País de todos ou pátria amada?

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Vejo que vários governos já estão vacinando sua população contra o coronavirus e imagino se estes governantes são pessoas que se sentem parte de um povo, ou se assumem como líderes de uma nação ou aceitam a responsabilidade pela defesa dos cidadãos de seus próprios países. Entre nós, aqueles que dizem amar a pátria preferem nada fazer para salvar milhares de vidas, que poderiam ser poupadas pela vacinação em massa. Há uma lógica perversa nesta escolha genocida, além do desprezo pela ciência e pelo bom senso? Talvez a palavra pátria contenha em si os signos necessários para penetrarmos nas mentes sombrias que nos governam nestes tempos. Qual é o sentido no qual os amantes do verde-amarelo das bandeiras e hinos transformaram o conceito de pátria? Dizem que nós, enquanto bebês, somos egoístas natos até uma certa idade, pois preferimos destruir o terceiro biscoito do que permitir que o outro bebê fique com dois e nós apenas com um. No começo de nossas vidas, gostamos das pessoas próximas ...

Conversão do messias

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Entre Deus e o orientador ateu – um pedido de desculpas

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Caro Leonardo [1] , Em 2007, quando você me apresentou sua versão final da dissertação de mestrado, na qual expressava seus agradecimentos a todas as pessoas que contribuíram para seu trabalho, inclusive a mim como seu orientador, e um agradecimento especial a Deus, disse-lhe que depois de vários anos trabalhando juntos eu esperava que você tivesse percebido que o espaço da sua dissertação era pequeno demais para nós dois: eu e Deus. Naquele momento, minha intenção era usar o humor para chamar a atenção para a incompatibilidade entre ciência e religião porque pensava que os cientistas deveriam agir de acordo com a razão e jamais baseados em crenças. Chamo de “crença” qualquer ideia sem comprovação objetiva que justifique nossas ações, independentemente de ter ou não uma origem divina. Por exemplo, Linnus Pauling, o cientista ganhador do Nobel de Química pela natureza das ligações químicas e do Nobel da Paz pelo seu ativismo contra os testes nucleares, usava pessoalmente grandes doses...

Gu Ê Krig e Galileu

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Big Hiro: como eu e Ana vimos vimos o desenho

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De onde vem a luz divina?

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A verdade invisível

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A ilha do conhecimento do Marcelo Gleiser

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A luz que vem da Constelação do Papagaio

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