2023, o ano das pitangas
Na infância, eu queria ser filósofo porque meu pai se referia a eles com o maior respeito. Não sabia o que significava ser filósofo, mas desconfiava que teria que aprender latim ou alemão e estar morto para ser um deles. Isso me assustou bastante e decidi viver um pouco mais. Depois de adulto, cheguei a cogitar estudar filosofia, mas já havia me tornado médico e cartunista e por isso as pessoas esperam de mim um diagnóstico ou uma piada, jamais um pensamento profundo. Mas volta e meia, ao tentar esclarecer algumas dúvidas cotidianas, pergunto-me se não estou filosofando, como agora diante das pitangas que estão frutificando no meu jardim. Depois de vários anos de esterilidade, pela primeira vez surgiram dezenas de pitangas que se vão se desenvolvendo lindas e suculentas, mas ao atingirem aquele tom amarelo avermelhado brilhante, elas atrofiam de um dos lados, depois apodrecem parcialmente e caem ao solo. Meu compadre Leonardo Diniz, consultado, diagnosticou literalmente na mosca: min...