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Carta do Nilson sobre os 50 anos do Humordaz

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Esta carta foi enviada pelo Nilson, depois que ele leu o post anterior sobre os 50 anos do Humordaz .   - 50 anos? Putz...você está ficando velho... Mas que bom vocês escreverem sobre o Humordaz! Acho que o texto ficou muito bom... só faltou o seguinte: Vi que vocês usaram o desenho do Marcos Benjamim para ilustrar o aniversário do nosso Humordaz e não a capa tradicional. Me junto a vocês nessa reparação... na época eu fui a favor do Benjamim na capa do número 2... não sei o que aconteceu, e usaram o desenho lá dentro, mas esse troço sempre me incomodou dele não ter ido para a capa. Quero responder a pergunta que todos fazem: quem criou o nome Humordaz foi você. Aquilo que começou como uma tira vertical na página final de sábado do jornal O Estado de Minas acabou ocupando a página toda, mudando  de lugar,  inclusive, a coluna semanal do Roberto Drummond   para outra página. Vocês leram a tese da Professora Normélia Miranda sobre o Humordaz? ( ver aqui a tese...

“A santa seita” – ou “Os (quase) doze próstatas”

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  para Diego e Júlia   reunimos nossas débeis forças mens sanas in tempores malos para insistir pela terceira vez que alguns minutos de memórias sobrevivem ao tik tok das redes.   reunimos nossos poucos cabelos brancos em têmporas cansadas aos corações jovens e aventurosos acreditando que o futuro pode ser um presente do passado.   Obrigado a todas as pessoas queridas que estiveram ontem no lançamento da terceira edição do Retrato Falado. Na foto (da jornalista Alessandra Mello), doze cartunistas vives (ou quase) que resistiram ao calor da noite com a ajuda das histórias do Nilson.

Ao mestre, com gratidão

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  Acabo de ler A Caravela, do meu professor de quadrinhos e de história do Brasil, compadre, amigo e irmão de nanquim, o Nilson Azevedo, que carinhosamente me enviou um exemplar (no sentido mais profundo do termo) do seu livro. Esta edição d’ A Caravela (2022) é uma pequena amostra do humor e da alma deste cartunista pleno, o primeiro que conseguiu sobreviver do trabalho de cartunista nas terras de Minas sem se mudar para o Rio ou São Paulo, quando a cultura brasileira era (e continua sendo) colonizada pelos norte-americanos , mas também subcolonizada pelos cariocas e depois pelos paulistas. Basta lembrarmo-nos de alguns dos artistas mineiros que precisaram migrar para o Rio, como Drummond, Guimarães Rosa, Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Borjalo, Ziraldo, Henfil e Nani e por lá ficaram. Depois da ousadia do Nilson, permanecemos, seus discípulos, reunidos em Minas em torno de projetos regionais de resistência contra a ditadura, como o Humordaz, o Grupo Mineiro de Desenho, os Ca...

Conversa para inglês ouvir

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  Dizia o Nilson, meu amigo, compadre e quem me ensinou as bases do cartum, sobre um post meu ( VER AQUI ): - Esse domínio do celular expressa o que sinto cada vez mais: sou um estranho no ninho, nesse mundo comercial que se forma ao meu redor e me encurrala e me faz querer o silêncio... Respondi: - Tudo isso não passa de um retrato de que estamos envelhecendo. Mas como dói…. Nilson: Tá doendo muito. Sempre vivi num mundo onde eu falava através do papel e do calor humano. O papel está acabando e o celular tomando conta...e começamos a pensar que mundo deixaremos para a Rainha Elizabeth... PS: A ilustração é baseada numa antiga piada sobre o Lorde fleumático e a frase do Nilson, segundo ele, rola na internet (veja só! nós dois reproduzindo piadas da internet?) e foi contada para ele pela sua namorada Patrícia.

Aves raras

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Ontem, Miguel Paiva apresentou seu livro Memória do Traço no programa Sempre um Papo com o incansável Afonso Borges. Miguel é um dos principais cartunistas brasileiros, com uma obra artística extensa (mais de dez mil desenhos), abrangendo desde o cartum e charges, sua vocação primeira, até ilustrações, quadrinhos, pintura, televisão, cinema e teatro. Miguel pertence à geração intermediária de cartunistas (como Nilson e eu, que estávamos no encontro ontem) que se situam entre a turma do Millôr Fernandes, Ziraldo e Jaguar, e os atuais cartunistas, como o grupo entusiasmado do WhatsApp que está criando a revista de humor Pirralha (com lançamento para breve), entre eles Duke e Guto Respi, que também participaram das conversas. Miguel relembrou sua participação intensa no Pasquim, o semanário que revolucionou a imprensa brasileira e era um alívio intelectual e emocional para todas as pessoas que se opunham à ditadura militar. Ao rememorar seu trajeto profissional (ver aqui http://sempreum...

Batman versus Superman: quem é mais direitista?

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The Guardian publicou uma interessante análise dos super-heróis que povoam nossas GodDamn cities mentais. Vale a pena ler: AQUI Lembrou-me as análises que Nilson e eu fazíamos há quarenta anos sobre a ideologia dos quadrinhos, como comentei outro dia (ver aqui AQUI ) A julgar pela liga de supermoneys que domina o mundo, a direita continua mais forte do nunca, compadre Nilson.

Henfil, o palestino

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Há 30 anos morria Henfil, talvez o cartunista que mais tenha influenciado a opinião pública brasileira, especialmente nas décadas de 70 e 80. Ele esteve presente de corpo e arte e foi um dos mentores dos grandes movimentos nacionais pela Anistia, pelas “Diretas Já”, pela Constituinte e pela fundação do Partido dos Trabalhadores. Henfil não sobreviveu à AIDS, contraída em transfusões de sangue para tratamento de sua hemofilia, e não pode ver alguns resultados de suas lutas políticas. A Anistia ficou pela metade, sem punição dos torturadores, os quais voltaram a receber apoio de Bossalnaros e de parte de uma geração desinformada sobre o que é uma ditadura militar. As “Diretas Já” resultaram na eleição indireta do Tancredo Neves, que morreu na praia e deixou em seu lugar o latifundiário José Sarney e uma sequela chamada Aécio Neves, seu neto. A Constituinte foi capaz de, surpreendentemente, construir uma Constituição que procurava garantir direitos sociais e nos transformar numa nação m...