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Mostrando postagens de janeiro, 2025

Hai cai #31125

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Na trincheira

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O algoz ritmo do envelhecer

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  Falar sobre o próprio envelhecimento não é de bom tom na nossa sociedade, pois espera-se que mantenhamos o “espírito jovem”, e qualquer reclamação referente aos problemas da idade pode ser desqualificada como depressão, pessimismo ou mimimi, como se faz com as mulheres que protestam contra o patriarcado ou com as pessoas negras que denunciam o racismo estrutural. Talvez essa atitude negacionista seja decorrente do medo que todos temos de envelhecer, porque, de fato, isso significa sofrimento para a maioria das pessoas, como demonstra Simone de Beauvoir em seu livro “A Velhice”, que comentei aqui , um ensaio profundo baseado em ampla documentação histórica, literária e filosófica, indispensável para quem chegou aos sessenta-setenta e para quem pretende não optar pela alternativa. Não é possível resumir as centenas de páginas de mais uma grande obra de Beauvoir, mas destaco alguns pontos:  Envelhecer biologicamente torna a vida mais difícil do ponto de vista bio...

O pretérito quase perfeito

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Paródia inspirada em "Dom Quixote de La Mancha"  de Miguel de Cervantes e "A Velhice" de Simone de Beauvoir Cena I - Belvedere Seis meses depois de ficar viúvo, o doutor Afonso B. ouviu rumores por trás da porta do escritório da ampla casa que ele construíra num bairro elegante de Belo Horizonte e percebeu que seu filho, sua filha e a médica conversavam sobre a conveniência de o internarem numa clínica geriátrica. Afonso retornou ao seu quarto, apanhou o dinheiro que mantinha num bolso de paletó, vestiu um velho casaco de couro, desceu para a garagem, acordou Sandro, o motorista, - que cochilava sempre que podia para aguentar seus dois empregos, - e indicou o aeroporto de Confins como destino. Sandro indagou se era para buscar alguma mala e Afonso respondeu que não havia mais malas para carregar.  Cena II - Afonso Penna Percorreram algumas ruas em silêncio até o Centro de Memória dos Mortos e Desaparecidos na Ditadura Militar, onde Afonso pediu ao motorista para est...

Carta para minhas netas e netos

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  Vocês eram crianças e se divertiam quando eu dizia que metade do que digo é mentira e a outra metade não é verdade. A metade-mentira era sobre o passado. Não que eu invente coisas que não aconteceram, mas sabemos que a gente edita e reedita nossa história continuamente, então, boa parte do que acreditamos que nos aconteceu é fruto da nossa mais involuntária imaginação. A metade que não era verdade são as coisas que digo sobre o futuro. É sobre esta parte que quero lhes falar hoje, pois tenho demonstrado um estado de espírito meio pessimista diante das ameaças que meu modo de pensar projeta para o futuro do mundo. Talvez minhas ferramentas de análise da realidade não sejam adequadas para vocês. Por exemplo, lembrem a medicina que praticava meu pai, - o bisavô Zezé de vocês, como era diferente daquela que tenho praticado e que, por sua vez, é distinta da praticada pela Luíza minha filha. Claro que temos princípios éticos em comum, mas nem o diagnóstico das doenças, - que em tese ...