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À espera de nada

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  Nos infinitos dias até ontem,  um poderoso futuro trazia-me vigor e coragem  para a guerra santa que desde jovem me arrebatara. Bastou-me um ferimento banal,  mas incurável - no tempo de vida que me resta,  para tornar-me incapaz de continuar nas trincheiras onde não conhecia o vazio e nem o tédio. Jogado numa enfermaria,  entre feridos e moribundos,  espero a padiola que me levará para longe das batalhas pela vida, para deixar-me nos campos melancólicos e irreversíveis da velhice e do esquecimento. À espera da morte, descubro a ilusão:  o suposto inimigo durante anos  nada passa de partículas subatômicas,  indiferentes ao que chamamos de destino,  sentido ou razão. Senador Ferrante Anno Domini X

Manifesto filosófico de Galileu

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  Alerta! Estamos num universo formado por energia em expansão aleatória, não sabemos sua origem antes do Big Bang e nem o que há para além dos seus limites, que são inatingíveis pela ciência contemporânea. A formação dos primeiros átomos se deu ao acaso, por condensação gravitacional da energia, gerando em seguida estrelas e galáxias. Portanto, o acaso é um dos princípios fundamentais do universo, da origem da vida em nosso planeta e da sua evolução. A espécie humana surgiu numa longa sequência de casualidades, entre elas as características neurais que permitem a linguagem, e com isso se tornou capaz de representar a vida no presente, no passado e no futuro, ou seja, construir narrativas, histórias. As diversas civilizações humanas negam o acaso e atribuem sua história a decisões divinas ou voluntárias, tomadas a partir de valores religiosos e morais. Elas precisam negar o acaso porque ele contraria o senso comum de que possuímos livre arbítrio, ou seja, o acaso atrapa...

Memórias futuras

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