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Ouça isto!

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  A Escuta Radical pode transformar nossa política e impedir a ascensão da extrema direita. Por George Monbiot, publicado no Guardian em 7 de maio de 2026. A maioria das pessoas já se decidiu, e nada que você diga as fará mudar de ideia: esse é o lema de partidos como o Trabalhista (na Inglaterra) e os Democratas (nos Estados Unidos). Não confronte os eleitores na porta de casa. Use grupos focais para descobrir o que eles querem e dê a eles. Siga, não lidere. Porque tudo depende deles, não de nós. É verdade que as tentativas convencionais de persuasão falham. Uma  meta-análise e experimentos originais  realizados pelos cientistas políticos Joshua Kalla e David Broockman constataram que “a melhor estimativa dos efeitos do contato e da propaganda eleitoral” nas eleições gerais dos EUA “é zero”. Mas isso não diz nada sobre os eleitores e sim sobre a abordagem inútil dos partidos que tentam alcançá-los. Trabalhos adicionais  dos  mesmos cientistas, juntamen...

Podemos voltar a conversar?

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  I’m Quem ainda não disse, exasperadamente, que não é mais possível conversar com “eles”? Aprendi no livro “ Open Socrates ” da brilhante filósofa Agnes Callard, que um verdadeiro diálogo em busca da verdade nas questões fundamentais só é possível por meio da conversa racional com outra pessoa, pois ninguém consegue ver os defeitos dos seus próprios argumentos.  Este diálogo socrático precisa ser sincero, ou seja, a pessoa deve apresentar sua opinião e tentar convencer a interlocutora, mas, ao mesmo tempo, deve estar disposta a ouvir e ser convencida pelos argumentos contrários e, portanto, estar disposta a mudar de ideia. De imediato, pensando “neles”, percebemos que é praticamente impossível este tipo de diálogo porque acreditamos: “eles” jamais se convencem de que estão errados! No entanto, e do meu lado, estou disposto a ser convencido por argumentos e ideias “deles”? Mesmo quando se trata de diálogos sobre fatos medidos e observados, como nas discussões científic...

O que vale mais para você?

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Algumas pessoas pediram mais informações sobre o tal espectro de valores que apareceu no diálogo da avó com a neta, que postei recentemente ( ver aqui ). Todas nós  possuímos um conjunto de valores que são construídos socialmente do nascimento até o início da vida adulta. Eles variam em significado de uma cultura para outra e cada pessoa atribui maior ou menor importância a cada um destes valores que regem nossa convivência social. Para exemplificar, apresento a brincadeira abaixo. Selecionei alguns dos valores humanos na tabela abaixo, em ordem alfabética.  Experimente pontuar os 10 valores mais importantes para você, classificando sua importância de 1 (maior) a 10 (menor). Ciência   Educação   Família   Hierarquia   Honestidade   Honra   Igualdade   Justiça  ...

Porque apaguei a charge de ontem

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Amedrontado pelo atentado a bomba cometido por um bolsonarista em Brasília, - sendo o medo e a bomba dois resquícios da ditadura militar - criei e postei neste blog uma charge criticando o terrorista e não suas ideias.  Por mais que eu condene a ideologia que conduziu essa pessoa transtornada ao seu ato extremo, tentei compreender as possíveis causas para seu gesto insano. Qual o grau de sanidade mental que ele possuía? Quantas fake news foram suficientes para ativar sua paranoia alimentada na baixa instrução e na pobreza econômica, social e cultural? Qual algoritmo das redes sociais capturou sua atenção obsessiva transportando-o para dentro de uma das bolhas dos radicais como ele, estacionados na frente dos quartéis e invadindo a Praça dos Poderes em janeiro de 2023? Quantos discursos populistas ele precisou ouvir para minar totalmente sua confiança na justiça e na democracia? Quanto ódio foi instilado nele por falsos salvadores da pátria para que seu autocontrole te...

Farsas promessas

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Vejam só! Tenho acreditado que grande parte do ódio que nos invade atualmente seria decorrente da frustração diante da incapacidade da social democracia em atender as expectativas de uma vida melhor para a maioria das pessoas. Esta convicção foi profundamente modificada pela entrevista do Rodrigo Nunes , professor de filosofia da PUC do Rio de Janeiro. Segundo ele, ao contrário, “essa crise advém da frustração daquelas promessas que foram apresentadas no início da ascensão do projeto neoliberal em diferentes partes do mundo e que são promessas não cumpridas, que não foram entregues até hoje.”  Ou seja, as promessas seriam as mesmas, mas feitas pela direita e não pela centro-esquerda. Sua entrevista mostra como “a ascensão do neoliberalismo, no final dos anos 1970, na Inglaterra, nos Estados Unidos, mas também mais tarde em lugares como a América Latina, nos anos 1990, ou no Leste Europeu, se dá sempre em meio a promessas de abundância, de meritocracia, de reconhecimento do mérito e...

De novo?

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O resultado de 6 a 5 no Supremo Tribunal Federal, a favor da prisão apenas depois da condenação haver transitada em julgado, reflete bem a divisão da sociedade brasileira em torno do tema da impunidade e do papel da Constituição de 1988. Neste clima, muitos de nós estamos comemorando o que promete ser o caminho para a liberdade de Lula. Apesar de me indignar com o julgamento conduzido por Sergio Moro, forjado com intenções políticas para afastar Lula das eleições de 2018, e de desejar a sua liberdade para o mais breve possível, tenho receio de que sejamos tragados por uma onda de mobilização em torno da pessoa do Lula, repetindo os problemas da centralização da luta da esquerda numa única pauta. Em vários países, aqueles que desejam um mundo melhor, estamos diante do desafio de reorganizar as propostas democráticas e progressistas para enfrentarmos o populismo de direita e o fascismo crescente nos últimos anos. São muitas as tarefas que não podemos deixar de lado. Parece-me arrisca...

O voto do meu vizinho

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De início, fiquei surpreso quando minha mulher comentou que soubera em quem a família do nosso vizinho de cima havia votado nas últimas eleições, mas aos poucos fui vendo que fazia todo sentido. Lembrei-me de suas roupas, suas posturas nas reuniões do condomínio e de sua maneira de entrar com o carro na garagem e me senti ingênuo por não ter desconfiado antes. Seu carro, aliás, era demonstração mais que evidente de que não poderia ser outra a sua opção política. Estacionava sempre no limite com a outra vaga e ligava o motor um ou dois minutos antes de sair, algo absolutamente desnecessário nos carros atuais, enquanto ficava fuçando no celular e enchendo a garagem com o cheiro de gasolina. Sua maneira de tratar os porteiros e o pessoal da faxina também deveria ter despertado minha desconfiança, porque era aquele jeito típico de relação patrão empregado que conhecemos muito bem, aquela coisa paternalista e fingida adotada pelos seus colegas de política. Mas bastaria eu ter prestado mai...

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