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Mostrando postagens com o rótulo Guerra

Dar o primeiro tiro – legítima defesa antecipada ou excludente de ilicitude?

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  Algumas pessoas de esquerda admitem que o regime socialista na Rússia foi substituído pelo capitalismo (ia dizendo capitalismo corrupto, mas me perguntei se há algum capitalismo que não seja corruptor de tudo, da política aos recifes de coral), mas, apesar disso, elas acolhem as justificativas de Putin para iniciar a invasão da Ucrânia. Ao contrário, outras pessoas de esquerda temos considerado a invasão russa um crime internacional , pois ela não é moralmente defensável, ou seja, não é algo que visa o bem (ou pelo menos um mal menor) para a humanidade. Uma população que luta em defesa de seu território invadido está exercendo o direito moralmente justificado da legítima defesa. Ao contrário, iniciar uma guerra, seria moralmente correto? Se não o for, os argumentos econômicos, geopolíticos ou históricos para dar o primeiro tiro não transformam a invasão em algo justo. Entre os motivos que me parecem moralmente defensáveis para se iniciar uma guerra (ou revolução) estão as condiçõ...

O mendigo e a Ucrânia

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  O ex-jardineiro tocou o interfone pela manhã, alguns minutos depois que eu soube da invasão da Ucrânia pela Rússia. Com a voz embargada pelo álcool, pediu-me dez reais para comprar um botijão de gás, solicitação cada vez mais frequente nos últimos meses em que a crise econômica brasileira foi agravada pela pandemia de COVID. José é um homem negro de meia idade, que aumentou a bebida na mesma medida em que viu diminuir sua oportunidade de trabalho, e que aparece no meu portão dia sim, dia não, com a mesma frase: - Oh, meu amigo... Atender a porta e encontrar o José é sempre um momento de conflito interior e tristeza para mim, pois não consigo evitar de me colocar na posição dele, encostado nas grades à espera da resposta, - chego a me ver pelos olhos dele - e fico imaginando como deve ser a vida de alguém na sua idade, que precisa andar pelas ruas de porta em porta pedindo esmolas. Repenso que, certamente, ele não escolheu sua situação social precária, tanto quanto eu não escolhi ...

O erro generalizado

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Alguns colegas médicos, não importam seus nomes ou titulações, defenderam publicamente que “na guerra contra o coronavirus, provavelmente a melhor opção tenha sido indicar um militar para comandar o ministério da saúde”, porque ele entenderia de guerra. Se este comentário estivesse sendo feito durante ou após a “vitória” do tal comandante sobre as forças viróticas inimigas, teríamos que concordar ou pelo menos dar um voto de confiança diante do desfecho. No entanto, neste momento em que atingimos 80 mil mortos pela COVID-19 e somos o país com a mais alta taxa de mortalidade por dia, é uma afirmação que precisa ser analisada com cuidado. A lógica destes colegas médicos é de que estamos numa “guerra” contra o vírus. Esta concepção militarizada dos problemas de saúde e sociais é bastante comum entre nós, como a guerra às drogas e guerra contra o câncer. Este olhar costuma nos levar a adotar soluções incoerentes com o verdadeiro processo diante dos nossos olhos. O vírus não quer nos de...

Irá a ira ao Irã?

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