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Mostrando postagens com o rótulo socialismo

Desigualdade x Segurança x Crise climática

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Lamentando profundamente a mais recente matança do governo de extrema direita no Rio, uma pessoa muito querida disse: - A esquerda precisa de um programa de segurança pública para vencer as próximas eleições e evitar a volta da extrema direita ao governo. Lembrei que a chamada “segurança” seria, no senso comum, o aumento do policiamento e comentei que esta proposta, de fato, vai contra os princípios da “esquerda”, pois seria enxugar gelo, ou seja, apenas combater os efeitos, a violência, e não sua causa, a desigualdade. A dor moral causada em nós pela fileira de corpos de homens negros mortos pela polícia militar  interdita nossa capacidade de pensar com clareza sobre essa dolorosa questão ( ver aqui Intercept de ontem ), especialmente para pessoas que estão mais próximas do acontecimento. Retomo aqui nossa conversa, por escrito. Começo pelos fatos, o tamanho do problema, ou seja, os indicadores de criminalidade  no Brasil  (fontes dos dados abaixo).  21 pe...

O homem que amava os cachorros - e a cadelinha Resistência

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Pensei em me aposentar de tudo relacionado à política ao terminar de ler o livro de Leonardo Padura “ O homem que amava os cachorros ”. Três coisas mudaram minha decisão: as conversas com pessoas queridas, um poema de Maiakovski - cantado pela Gal Costa - e a cadelinha Resistência, que subiu a rampa do Palácio do Planalto com Lula, ontem. O romance de Padura, baseado em fatos, fez-me sentir profundamente velho e desiludido com a humanidade, sentimento este compartilhado com um dos personagens do livro nos seus 58 anos, o líder comunista Liev Davidovitch, o Trotsky, depois de quase uma década de exílio forçado pelos stalinistas, segundo nos relata o escritor cubano. Como sabem aqueles que estudaram um pouco de História, Trotsky foi assassinado no México, em 1940, por Ramón Mercader, um jovem espanhol comunista que foi recrutado durante a Guerra Civil Espanhola para se tornar agente secreto a serviço de Stalin, o ditador que dominou a união soviética - e os partidos comunistas em todo o...

Quem somos?

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  Quem é essa mulher, que canta sempre esse estribilho? Angélica - Chico Buarque Nesse último domingo, de cada dez pessoas brasileiras aptas a votar, duas não compareceram, quatro votaram no ex-metalúrgico e quatro votaram no ex-capitão. Passei a noite buscando compreender estes acontecimentos, para me preparar melhor para os próximos terceiros e oitavos turnos. Ao contrário de seguir meu impulso natural para dividir as pessoas entre nós e eles , procurei saber o que haveria de comum entre aqueles que votam em Lula ou em Bolsonaro. Coloquei de lado, temporariamente, as acusações de corrupção que são usadas contra ambos ( embora não sejam equivalentes ) e fui em busca de algo mais profundo que eles poderiam representar. Claro, o carisma de ambos é indiscutível, demonstrando aquela nossa primitiva necessidade de nos agarrarmos a pessoas maiores do que nós para sobrevivermos ao medo de afogamento no pantanal dos anônimos e invisíveis. Assim, os comportamentos espontâneos de ambos n...

Equivocado

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  Francisco, meu neto, desenvolveu rapidamente um vocabulário amplo e, certo dia, em torno dos seus 5 anos, estava com uma expressão de tristeza, o que motivou Thalma a perguntar: - Está triste, Francisco? - Não, vó... – pensou um pouco e completou -... estou equivocado. - E você sabe o que quer dizer equivocado? - Sei... É quando estamos enganados. É exatamente este sentimento que vem dominando minha alma nos últimos tempos, à medida que tenho aprendido certas coisas, sobre as quais andei equivocado, mas, graças a algumas autoras feministas, estou tendo a sorte de mudar de ideias. Neste rearranjo das prateleiras mentais construídas no último meio século, três das minhas referências de vida foram desempoeiradas: o marxismo como eu o imaginava, a evolução darwiniana como aprendi e a causa ambientalista como vinha defendendo. Começando pelo marxismo, Sílvia Federici mostrou-me que Marx praticamente desconsiderou a exploração feminina, a escravidão e o colonialismo na sua análise ...

Igualdade ou liberdade, um falso conflito?

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Minha filha Luiza emprestou-me “ Marxismo ocidental ”, do italiano Domenico Losurdo (1941-2018), o pensador indicado pelo Jones Manuel para o Caetano Veloso, que o fez deixar de ser, segundo nosso poeta tropical, “aquele liberaloide de antes”, numa entrevista que desconcertou Pedro Bial . Foi uma grata surpresa, pois Losurdo mostrou-me um novo olhar histórico sobre as lutas socialistas do último século. Na minha juventude, em plena ditadura militar, tomei consciência das injustiças sociais e compreendi a lógica da exploração capitalista quando li O Capital de Karl Marx . No passo seguinte, abracei o ideal marxista da revolução socialista internacional e, naquela época, as ideias de Leon Trotsky pareceram-me as mais corretas. Quando percebi que as revoluções comunistas soviética, chinesa, vietnamita e cubana (entre outras) haviam caminhado para uma forma de nacionalismo mais do que uma revolução socialista, lastimei que aquelas revoluções haviam se desviado do ideal revolucionário ...

A direita unida jamais SERIA vencida?

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  Para amigues Facundes Dizem que nós, da esquerda, somos incapazes de nos unir, apesar de abraçarmos uma ideologia coletivista, mas a união me parece intrinsicamente tão ou mais difícil num grupo de pessoas com uma ideologia individualista, mesmo que tenham um objetivo final em comum, que é a exploração da maioria. Se a direita fosse unida, não haveria a Segunda Guerra Mundial entre governos de vários tons de direita, democratas e republicanos compartilhariam melhor seus privilégios econômicos e ainda estaríamos sob a ordem unida da ditadura militar brasileira.  Se a direita fosse um bloco único, contando com a máquina do estado e as forças armadas, ainda estaríamos convivendo com reis e imperadores, tipo os Pedros de Orleans e Bragança e a escravidão. Achar que somos desunidos e que a direita é unida em torno do lucro e dos seus privilégios pode resultar de uma certa miopia social, que nos leva a achar que orientais, indígenas ou negros são “todos iguais”. Curiosamente, est...

Vai passar

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Para Ernesto e Lucas Quando superarmos esta pandemia do coronavirus, haverá mudanças em nossa forma de viver? Alguém já disse que é muito arriscado fazer previsões, especialmente sobre o futuro, mas precisamos nos sentir um pouco no controle de nossas vidas, por isso é natural que fiquemos a imaginar o dia seguinte depois desta gripezinha, segundo um certo presidente, aparentemente imbecil. Meu irmão, o jornalista Ernesto Rodrigues, foi quem me chamou a atenção para os diversos discursos que andam pegando carona no vírus, num excelente comentário que escreveu sobre meu post “O vírus comunista” [1] . Ele nos alerta que existem desde os indivíduos messiânicos, para quem a pandemia seria um castigo purificador dos céus, punindo-nos pelo nosso suposto estilo Sodoma e Gomorra de viver, até os críticos do capitalismo destruidor da natureza, para quem o vírus nos obrigaria a viver de modo mais parcimonioso, menos consumista e mais ecológico, reduzindo a emissão de carbono e salvando o plan...

Star Wall

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Condução coercitiva

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Revolução, a franqueza

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Em 1989, publiquei este cartum acima no Diário Popular de São Paulo, em comemoração aos duzentos anos da Revolução Francesa. O desenho foi reproduzido em diversos lugares, inclusive como questão num vestibular. Quase 30 anos depois, continuo pensando sobre isto e a minha recente viagem a Cuba iluminou um pouco mais esta questão. Aí, tentei desenhar nova versão, abaixo.
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