200 mil (pintura de Sérgio Campos)
É impossível descrever o sofrimento de duzentas mil pessoas morrendo sem conseguir respirar por descaso, racismo ou genocídio. Nem duzentas mil palavras seriam capazes de compreender o luto de cada uma das famílias que ficaram mutiladas para sempre. Neste silêncio diante do absurdo, os corpos flagrados em queda permanente (pelo artista Sérgio Campos) são a imagem instantânea do nosso abandono e fim. Eles descrevem em minha mente atônita, incapaz de abranger a dor dos grandes números, a espiral descendente dos milhares de corpos em direção às covas rasas do esquecimento. Será possível interromper essa queda com o grito de duzentas mil vozes ainda vivas, para afastarmos os algozes, seu cuspe virulento, seu ódio desumano e suas mãos assassinas? O possível amanhece a cada dia. Lor...