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Mostrando postagens com o rótulo medicina

Carta para minhas netas e netos

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  Vocês eram crianças e se divertiam quando eu dizia que metade do que digo é mentira e a outra metade não é verdade. A metade-mentira era sobre o passado. Não que eu invente coisas que não aconteceram, mas sabemos que a gente edita e reedita nossa história continuamente, então, boa parte do que acreditamos que nos aconteceu é fruto da nossa mais involuntária imaginação. A metade que não era verdade são as coisas que digo sobre o futuro. É sobre esta parte que quero lhes falar hoje, pois tenho demonstrado um estado de espírito meio pessimista diante das ameaças que meu modo de pensar projeta para o futuro do mundo. Talvez minhas ferramentas de análise da realidade não sejam adequadas para vocês. Por exemplo, lembrem a medicina que praticava meu pai, - o bisavô Zezé de vocês, como era diferente daquela que tenho praticado e que, por sua vez, é distinta da praticada pela Luíza minha filha. Claro que temos princípios éticos em comum, mas nem o diagnóstico das doenças, - que em tese ...

Julia Rocha, muito +Médica

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  Desde as primeiras páginas de “ Pacientes que curam ”, Júlia Rocha abriu meu coração com delicadeza e me conduziu pelas vidas das pessoas que ela atende como médica no Programa de Saúde da Família, do SUS. Guiado por ela, fiz um percurso pelas histórias exemplares que florescem em toda casa da periferia de Belo Horizonte. A cada três ou quatro páginas, eu não conseguia conter as lágrimas: de tristeza pelo sofrimento causado pelas doenças, de indignação e raiva pela miséria causada pela estrutura social em que vivemos, mas, principalmente, chorei pela esperança que Júlia desperta ao mostrar que existem pessoas como ela e que um outro mundo é possível. Quando era menino, eu admirava meu pai José Benedito Rodrigues pelo seu trabalho como médico da roça, como ele se intitulava, atendendo as famílias na periferia de Jesuânia e Lambari, nossas cidades no Sul de Minas. Papai era apaixonado pelo trabalho e seu lema de vida era “quem não vive para servir, não serve para viver”, um afo...

Ninguém em especial

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Minha amiga e colega de medicina Sara de Castro Oliveira fez comentários interessantes sobre este cartum. Reproduzo abaixo. “Interessante e oportuno esse cartum. O médico agradece a Deus a melhora do paciente e parece ignorar que ela só foi possível pelo avanço científico e tecnológico, baseado no pensamento racional. Isso justifica a prescrição de cloroquina, ivermectina e afins em massa por médicos. Isso me assusta e preocupa pois mostra o grave déficit na formação ética e científica de muitos de nossos colegas. Seu cartum me remete a dois de meus vídeos preferidos do Porta dos Fundos, que enviarei aqui.” https://youtu.be/HHiv59exorc https://youtu.be/dgso4_bWcME Abraço, Sara" Cara Sara, Obrigado. Conhecia o “Jesus te ama”, mas não o “Obrigado Jesus”. Ambos muito bons: subscrevo! Lor

Chip & Zés

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A vida é digital?

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Uma parte do mal-estar da incivilização que estamos vivendo nos últimos anos talvez seja o resultado da simbiose que estabelecemos com nossos computadores. Sabe-se que as novas tecnologias moldam nossa visão de mundo e temos cada vez mais incorporado a lógica digital das máquinas inteligentes ao nosso cotidiano, logo, é possível que estejamos desaprendendo a pensar fora do sistema binário dos processadores digitais, do zero ou um. Neste modelo mental, reproduzimos nossos valores dentro da escala do tudo ou nada, do contra ou a favor, do ame-o ou deixe-o e outros sectarismos humanos, os quais tornaram cada vez mais impossível qualquer acordo, solução de compromisso intermediário e de bom senso, ou seja, a convivência democrática. A polaridade política excessiva é uma das condições para a morte das democracias, nos lembram Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (Editora Zahar, 2017), ao analisarem como algumas experiências democráticas foram interrompidas na Alemanha, Venezuela, Chile e outr...

Médicos sem limites?

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Tento compreender as atitudes recentes de alguns médicos e uma médica durante o adoecimento e falecimento da senhora Marisa Letícia Lula da Silva, que me causaram perplexidade e tristeza [1] . Tenho o dobro da idade dos médicos que se comportaram de forma extremamente agressiva numa situação em que acredito que deveria prevalecer a proteção profissional a uma pessoa doente e sua família. Desejo que estes jovens colegas vivam tanto quanto eu para aprenderem, e acredito que todos podemos nos transformar com a experiência, como eu venho aprendendo com o tempo “que a delicadeza é a mãe de todas as virtudes” [2] . E certas virtudes são necessárias para sermos bons médicos. Não imagino que as pessoas que se formam em medicina sejam seres especiais invulneráveis aos impulsos humanos como os demais. Não penso assim. Mas somos, médicos e médicas, pessoas privilegiadas por diversas razões e os privilégios que recebemos, a meu ver, resultam em compromissos morais para com a sociedade que nos pe...

TEMERIDADE

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Drugs & Co.

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Recebi o  e-mail  abaixo da minha filha  Luíza , que é médica. Caros, Trabalhando com Avaliação de Tecnologias em Saúde, frequentemente me deparo com o uso indevido da "Medicina Baseada em Evidências" para vender remédio. Este caso da paroxetina para adolescentes e crianças é um exemplo:  http://study329.org/ Demorou quase 15 anos pra se conseguir publicar um estudo com análise metodologicamente correta dos dados coletados, que concluiu O OPOSTO do que foi publicado originalmente. São 15 anos vendendo remédio que não funciona e oferece mais riscos.  E o estudo original não foi retirado (retracted)! Nas minhas análises críticas, toda vez que incluo "o financiamento do fabricante" como um viés e, portanto, um fator importante de redução da qualidade da evidência (especialmente em oncologia), sou duramente criticada: - Mas não há estudos grandes sem o financiamento da indústria! Ao que eu respondo: - Portanto, nã...

O retoque de humor do Ziraldo

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Em 1976, alguns dias depois que enviei este cartum para o Pasquim, ele foi publicado com uma alteração (que pela letra ficou evidente ter sido realizada pelo Ziraldo), que mudava a última frase (abaixo) É claro que a frase do Ziraldo ficou muito melhor do que a minha por dizer com mais humor quase a mesma coisa que eu pretendia. Ao dizer que o paciente não havia colaborado, há uma dose de transferência de responsabilidade do médico para o paciente, enquanto meu intuito original era falar da pretensão. De qualquer forma, a habilidade do Ziraldo em melhorar a piada é uma prova da superioridade do seu talento e da diferença de idade que há entre nós.

O look capitalista

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Meu irmão Ernesto ponderou diante de um cartum recente: - Você precisa atualizar seu capitalista: os patrões não fumam mais, fazem exercícios e não se vestem com estes ternos pesados. Pensei que ele tem razão, em parte. Se é verdade que há um novo visual do lado de dentro das mansões, o capitalismo em si não mudou como as redes sociais pretendem, porque a concentração de riqueza aumentou brutalmente nos últimos anos e os mecanismos de exploração da mão de obra ainda são os mesmos. Assim, enviei a ele estes dois cartuns, nos quais mudei apenas o visual do arqueiro. Na primeira versão, do homem mais jovem com o terno lilás, temos um pouco de dúvida sobre quem seria o personagem: um industrial? Um médico? Um cientista? Por outro lado, na segunda versão, não temos dúvida de que se trata do dono da fábrica de estatinas, um remédio usado para baixar o colesterol, um dos campeões de vendas (não obrigatoriamente de resultados para a saúde). Ernesto concordou que não será tão simples mudar o l...

Cartunista de 66 anos se comunica com crianças de 9?

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Hoje estive na Escola Maple Bear de Belo Horizonte para falar de cartuns e quadrinhos a pedido do professor de arte e colega cartunista André. Conversei com um grupo interessado de crianças em torno dos nove anos de idade, entre elas minha neta Alice, sobre tirinhas, quadrinhos, charge, cartum e caricatura, como me pediram. Primeiro, mostrei às crianças alguns quadrinhos, seis tirinhas do personagem Telinho, selecionadas ontem entre cerca de 700 publicadas na década de oitenta no jornal O Globo do Rio de Janeiro.  Aparentemente, as crianças entenderam e acharam engraçadas as tiras que reproduzo abaixo, mas elas não interpretaram as tiras como crítica, mas simplesmente como engraçadas, reforçando minha impressão de que há uma distância entre a intenção do cartunista e a percepção do espectador de outra geração. Depois mostrei a charge abaixo, sobre o desabamento de um viaduto em Belo Horizonte. Embora as crianças tenham compreendido que o viaduto desabou sobre um caro...

O cartunista e o médico

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Ontem postei minha charge de 1993 sobre as chacinas cometidas por policiais militares e a defesa da liberdade de expressão que a reitora da UFMG, Vanessa Guimarães, fez naquela época. Em 2015, vinte e dois anos depois da corajosa defesa da reitora, ao enviar esta charge para o Jornal da Associação Médica de Minas Gerais, trabalho que vinha realizando de forma ininterrupta há 12 anos, fui informado por telefone pelo presidente da AMMG que não a publicaria porque ela contrariava a orientação atual da diretoria sobre o tema da gestão médica. Lembrei que nas gestões anteriores da AMMG eu fora convidado a ocupar um espaço editorial com minhas charges sobre temas relacionados à medicina e à saúde, quando me foi assegurada a liberdade de opinião, inclusive com a observação explícita nos créditos do jornal de que minhas charges não refletiriam obrigatoriamente a opinião da diretoria da AMMG ou do Jornal da AMMG. Por mais de uma década, eu vinha trabalhando no Jornal da AMMG...

A esperança está sempre na linha do horizonte

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A caminho dazíndias

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O atendimento público é impublicável?

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É possível emagrecer os lucros?

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Dar a César o que é de Ana?

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A heteropatia indígena é melhor do que a homeopatia?

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O Juramento de Hipócrates tem prazo de validade?

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