O fim dos patrões e trabalhadores
Ninguém, dentre as centenas de pessoas que conheci nos últimos anos, me respondeu sobre seu trabalho dizendo-se operário, assalariado, empregado ou trabalhador. Ninguém também se identificou como patrão. Todas as respostas que obtenho são descrições dos aspectos técnicos das atividades que exercem, como se elas fossem profissões autônomas. Por exemplo. Sou administrador de estoques. Onde, Seu Jorge? Na indústria metalúrgica X. Ah, o que o senhor faz? Eu reponho a matéria prima nas linhas de operação. Então, o senhor é um operário metalúrgico? (percebo o constrangimento do Seu Jorge) Sim... Parece haver resistência do Seu Jorge em descrever sua posição na sociedade como pertencente à categoria explícita dos “operários”, talvez assumida por ele como subalterna, inferior, subjugada e sem futuro. Ele não se vê nem mesmo como parte dos “trabalhadores”, o conjunto de todas as pessoas assalaria...