Abandonar a carne ou a esperança
A frase do título deste post tomei emprestada do professor da UNICAMP Luiz
Marques em seu livro fundamental “O decênio
decisivo – Propostas para uma política de
sobrevivência”.
Quem ainda tem esperança de reduzirmos a catástrofe
climática em curso, precisa ler a montanha de evidências científicas sobre o
aquecimento global que Luiz Marques reuniu até março de 2025 (150 páginas de
referências!): ver as propostas dele abaixo.
Como ainda tenho esperança, meus votos para 2026 são continuar
tentando participar dos movimentos contrários ao aquecimento do planeta.
Por exemplo, abolir os combustíveis fósseis e, se possível, usar transporte público movido a eletricidade, de preferência metrô ou
trem. Se inevitável o automóvel, que seja a álcool, com motor pequeno.
Não comer carne, especialmente bovina, que é a principal causa
de desmatamento e de grande parte do efeito estufa (emissão do gás metano), e trocar
produtos do agronegócio pelos alimentos dos pequenos produtores agrícolas.
Reduzir ao máximo viagens de avião (altíssima pegada de
carbono), evitando o turismo fútil e os cruzeiros marítimos.
Comprar produto regionais, abandonar os importados, para
evitar a pegada de carbono no transporte por longas distâncias.
Usar energia solar em tudo o que for possível.
Consumir apenas o necessário, sem plástico, não desperdiçar
e reciclar sempre.
Então, são estes os votos que desejo compartilhar com todas as
pessoas a quem desejo o bem, o bem comum.
Lor
Propostas do Luiz Marques (entre parênteses comentários meus):
Redução radical e emergencial das diversas desigualdades
entre os membros da espécie humana (ou seja, socialismo)
Diminuição do consumo humano de materiais e de energia
Extensão da ideia de sujeito de direito às demais espécies,
à biosfera e às paisagens naturais
Restauração e ampliação das reservas naturais, a serem
consideradas como santuários inacessíveis aos mercados globais (especialmente aquelas ocupadas pelos povos originários)
Desmantelamento da economia global e transição para uma
civilização descarbonizada (sem combustíveis fósseis)
Desglobalização do sistema alimentar e sua transição para
uma alimentação baseada em nutrientes vegetais (não comer carne)
Transformar o arcabouço jurídico internacional em benefício
de uma soberania nacional relativa (um mundo sem fronteiras)
Acelerar o decrescimento econômico e a transição demográfica
(ou seja, menos crescimento com população mundial menor - esta última necessidade já se iniciou de forma inevitável, conforme texto do Monbiot).
(E o fim de todas as guerras)
Mais textos meus sobre consumo de carne e ambiente
Stop
AGRO now! Picanha limpa para todes!
A
sabedoria ao alcance de todos

Considero seus primeiro e último parênteses essenciais, resumem tudo.
ResponderExcluirFinalmente, a temática do consumo da carne está vindo a tona nos debates entre ambientalistas. Em qualquer debate sobre a emergência climática, se não se fala nisso, não tem o meu respeito.
ResponderExcluirLuciana Gatti do INPE é a que mais toca nesta tecla. Gosto muito dela.
Em tempo: ano que vem, completarei 20 anos que não consumo nada de origem animal. Abraços!