Queremos boas notícias? O poder da ciência
Sinto-me entre as pessoas que estão cada vez mais
angustiadas diante da maior parte das notícias que nos chegam por todos os
meios, especialmente sobre o aquecimento global e a instabilidade
internacional. Para enfrentar essa angústia, busco outras fontes de informação
que indiquem caminhos de esperança nesse mundo ameaçador em que vivemos.
Às vezes, dou sorte de encontrar pessoas especiais que
iluminam minhas ideias e ideais com as lanternas da ciência, como Naomi Oreskes
e Erik M. Conway, que reuniram sua experiência como professores de história da
Ciência e dedicaram 5 anos de suas vidas para escrever o livro “Mercadores
da Dúvida”, (lançado em 2010 nos Estados Unidos e a primeira edição
brasileira em 2025), uma obra indispensável para quem sabe que precisamos
construir saídas para a catástrofe climática que vem se instalando em nosso
único e vulnerável planeta.
A documentação utilizada neste livro foi fundamental para a
realização do filme “Verdade Inconveniente” do vice-presidente norte-americano
e Nobel da Paz, Al Gore, que recebeu o Oscar de melhor documentário e
influenciou a opinião pública e governos a favor de medidas regulatórias para
conter o capitalismo predatório.
Não posso resumir em poucas palavras tudo que aprendi com
Naomi e Erik, mas posso dizer que Mercadores da Dúvida fornece muitas ferramentas científicas
para enfrentarmos a desinformação e o negacionismo dos pseudocientistas mercadores
da dúvida que são financiados pelas indústrias dos combustíveis fósseis, dos
cigarros, dos armamentos, dos agrotóxicos, das mineradoras e do desmatamento.
Naomi e Erik revelam a rede internacional de
fundamentalistas do mercado que se organizaram (inclusive apoiando a extrema
direita e ditaduras) para impedir qualquer tipo de regulamentação aos lucros
das grandes corporações, pois acreditam que a mínima redução da liberdade
econômica é um passo para o comunismo. Ontem mesmo (10/2/26) Trump atacou nova
e gravemente a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (ver
aqui).
Naomi e Erik mostram que, apesar do imenso poder das
corporações, os recursos científicos à disposição da sociedade permitiram
várias conquistas, (regulamentação do tabaco, banimento do DDT, controle dos agrotóxicos,
proibição do amianto e dos gases que destroem a camada de ozônio, controle do
desmatamento, lei da água limpa e outras), apesar da luta ser permanente e o
tempo ser breve.
Enfrentar estes poderosos, agora armados com redes sociais,
algoritmos e inteligências artificiais, não é coisa para amadores: é para
amantes da humanidade que não sobreviverá sem a natureza da qual fazemos parte.
Por isso, boa notícia não quer dizer esquecer o mundo
deitado numa rede, mas ocupar as redes e a política com nossa resistência
democrática de mãos dadas com a ciência.
As novas edições (norte-americana 2020 e brasileira 2025) do
Mercadores da Dúvida trazem posfácios de Naomi Oreskes atualizando o que
aconteceu nestes 20 anos desde que o livro começou a ser trabalhado (ver
também sua entrevista).
Espero que a leitura de Mercadores da Dúvida inspire a todas
as pessoas e organizações ambientalistas brasileiras a se unirem às nossas
irmãs internacionais para dizermos juntas: “um mundo novo não é apenas
possível, mas urgente!”
Lor

Obrigado Lor! Com certeza um novo mundo é necessário e urgente, gostei muito da dica e já quero ler este livro também.
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