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O vírus da violência masculina

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  Algumas pessoas perguntaram se acho ou não que Carlos Bronca Neto e seus amigos merecem a condenação e a prisão pelos crimes que cometeram: planejar assassinato de adversários, tentativa de fraudar eleições e outros ( ver aqui o conto que publiquei ontem ). Na ficção que escrevi, ao questionar a decisão do juiz eu disse que “devia ser condenado o patriarcado”, dando a entender que esta estrutura social pré-histórica (e pré-capitalista, senhor Engels) seria a causa da formação do caráter violento dos personagens e da opressão das mulheres (que são obrigadas a reproduzirem o patriarcado). Propositalmente, com a intenção de chamar a atenção sobre o papel do patriarcado na formação de homens e mulheres, deixei em aberto se Carlos e seus cúmplices “também” deviam ser condenados ou não. Comparo com a situação de um cão com hidrofobia (ia escrevendo homofobia), doença que sabemos ser causada por um vírus letal. É claro que precisamos prender o animal doente para proteger a sociedade, ma...

Carlos Bronca, o neto

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  Inspirado em bell hooks   Quando a parteira avisou que era um menino, a sala enfumaçada pelos cigarros comemorou com gritos de “é saco roxo!” e os amigos deram palmadas nas costas do pai, que distribuiu mais uma rodada de cachaça e uma caixa de foguetes. O tio Nico brindou ainda bem que é macho, achei que meu irmão ia dar outra fraquejada! Na ressaca do dia seguinte o pai viu o filho na penumbra do quarto, acordou o menino com um beliscão na bochecha e foi ao cartório registrar, escreve aí, Carlos Bronca, como o pai, e acrescenta Neto! Na semana seguinte, Carlos Bronca, o pai, implicou com a manta rosa que cobria o menino, herança da irmã mais velha, isso é cor de mulherzinha, tira isso, mulher! A mãe resmungou que estava muito frio, mas o pai arrancou a manta dizendo que sentir frio é bom, vai treinando para ser homem sem frescura. Na igreja, o padre derramou a água benta na cabeça da criança dizendo eu te batizo em nome de Deus Pai todo poderoso, a quem suplico que...