A incrível diferença nos sabores

para Ramon Cosenza

 

Escolhi meus pais?

E meu país?

 

Escolhi meu sexo?

E meu século?

 

Escolhi minha cor da pele?

E minha tribo e sua religião?

 

Escolhi a riqueza da minha família?

E os vizinhos da minha infância? 

 

Escolhi minha força de vontade? Minha inteligência?

Minha sensibilidade à cachaça? Minha dependência do celular?

 

Escolho o que vou desejar,

ou desejo antes de escolher?

 

Escolho a quem eu amo, 

ou amo a quem o acaso nos encontrou?

 

Se nada disso eu pude escolher, 

por que você fica me apressando para decidir 

se quero o sorvete de manga ou abacaxi?

 

Lor 

 

O poemeto acima foi inspirado no “Determinados”, o último livro do Robert Sapolsky, um cientista brilhante e bem-humorado de quem me tornei seguidor nos últimos 20 anos. Se você acha que tem livre arbítrio suficiente para escolher uma leitura que desafia nosso senso comum, dê uma conferida nele.




Um livro apaixonante, que mostra cientificamente que a falta de livre arbítrio é uma razão para vivermos com tolerância e compreensão.









 

Comentários

  1. Poema instigante, principalmente nos tempos celuláricos

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  2. Lorswaldo, na Amazon o preço tá melhor do que na Estante Virtual https://ongcev.org/determinados

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  3. Oi, Lor.
    Sem ler o Determinados, só o seu instigador poemeto, fiquei tentado a mandar um "evoé" pro B F Skinner (Beyond Freedom and Dignity), também cientista brilhante, não bem-humorado (aliás, um chato, pessoalmente), de quem fui seguidor uns 40 anos.
    👏 Palmas pro poemeto.

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