Fui conhecer um pouco da obra daquele cidadão norte-americano que se diz brasileiro e filósofo, porque não quero ser um idiota, uma das palavras agressivas que o tal escritor usa frequentemente, inclusive no título de um de seus livros. O que vi nos seus textos e vídeos foram críticas à esquerda, à globalização, à liberdade sexual e a outros comportamentos modernos, que o autor denuncia como parte de uma conspiração marxista e comunista orquestrada pela elite global financeira e intelectual. Não é a primeira vez na história que este tipo de fantasia paranoide serve de propaganda populista, como durante o avanço nazista na Segunda Guerra Mundial, e este argumento absurdo já foi várias vezes desmistificado. O próprio escritor confessa não ter nenhuma proposta para ao futuro, nenhum modelo de sociedade, mas que gostaria de retomar os valores de duzentos anos atrás (ver entrevista com Pedro Bial em maio de 2019). É fácil sermos levados a concordar com ele de que há di...
Minha filha Maria Helena tem sido corajosa, bem-humorada e mantém a esperança para enfrentar sua doença, a neurofibromatose do tipo 1. No último ano, Maria Helena percebeu que as complicações neurológicas da doença vinham dificultando progressivamente seu trabalho como fisioterapeuta, então decidiu retomar seu talento artístico como pintora, desta vez, transformando caixinhas de madeira em obras de arte exclusivas. Junto com o sobrinho Francisco, a irmã Luíza, o marido Marcos e a mãe Thalma (assessoria artística) montaram uma estrutura para distribuir as caixinhas, brindes e sorteios para quem comprar as preciosas obras de arte que ela está produzindo. Entre os brindes, haverá um sorteio mensal de uma caneca desenhada por mim com temas de humor cotidiano. Nas fotos abaixo, alguns exemplos das canecas que desenhei numa primeira fornada (literalmente as canecas vão ao forno depois de pintadas), assim como outras pintadas pela Maria Helena e algumas caixinhas. Me d...
Há muitos anos ouvi o Millôr [1] dizer que “o ser humano é inviável”. Desde então esta frase de um dos meus ídolos intelectuais tem me intrigado, porque nunca tive certeza se ele estava fazendo uma brincadeira despretensiosa ou se sua afirmativa era resultado de longa experiência de vida e cultura, alguma verdade filosófica embalada pelo seu excelente humor. Tentei em vão decifrar se Millôr se referia ao ser humano enquanto espécie animal ou aquele ser idealizado nos sonhos humanistas ou a ambos. Ao mesmo tempo, esta frase do Millôr me desafiava a concordar ou não com ela, obrigando-me a tentar conciliar numa única resposta as minhas múltiplas e antagônicas personalidades: o médico, o ativista político, o cientista e o cartunista. De um lado, como médico, tenho sido otimista por causa do desenvolvimento da ciência no conhecimento da natureza, que pode levar à cura das doenças e à diminuição do sofrimento humano. Também imbuído de esperança tem sido o meu posicionamento político ...
Tudo dito numa charge...
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