domingo, 20 de agosto de 2017

Burrice artificial

Quantos milhões de dólares foram necessários para eleger Trump? Os donos destes dólares angariados pela campanha desconheciam o cavalo no qual estavam apostando suas fichas? Ainda que os biliardários pudessem estar desavisados da personalidade agressiva do empresário candidato, os donos de grandes fortunas costumam ter assessores especializados naqueles assuntos que podem afetar seus interesses financeiros e estes especialistas também desconheciam quem era o agente laranja que destruiu as demais campanhas republicanas e derrotou a madame Clinton com a ajuda do neoditador russo Putin? Aliás, os espiões russos também ignoravam a personalidade do amigo do chefe que eles turbinavam na candidatura à presidência dos Estados Unidos?

Se todas estas pessoas desconheciam a história de Trump (e de sua família, incluindo o pai, membro da Ku Klux Klan), ou uma grave epidemia de ignorância deve estar sendo disseminada pelos Estado Islâmico, mas como os terroristas islâmicos não são exatamente os melhores especialistas em guerra de inteligência, ou tenho que supor que quem apostou em Donald Trump esperava colher determinados frutos nesta jogada. Mas, quais seriam os benefícios de uma política agressiva e polêmica para a elite branca empresarial que apoiou o fakeman?

Poderia ser uma tentativa de radicalizar as opiniões políticas para dividir as pessoas e destruir possibilidades de consensos construídos democraticamente? Muitos príncipes já aprenderam que devem dividir a população para governar, mas, para além desse desejo de governar a máquina pública, talvez Trump venha com a missão elaborada pelos biliardários de destruir o Estado que prevaleceu em boa parte do mundo ocidental, especialmente depois da Segunda Grande Guerra, um Estado que colocou alguns poucos freios na ganância impiedosa do capitalismo.

A maneira escolhida para desmontar o Estado seria destruir a sua credibilidade, pois é inevitável pensar que um sistema democrático que é capaz de eleger um falso palhaço como Trump deve ser um sistema falido de representação social. Quando havia Obama, um homem elegante, negro e feminista, ainda que ele tenha repetido a maioria das políticas dos Bush, sua imagem passava a ideia de que sim, a democracia é possível.

Com o branco, grosso, racista e aparentemente estúpido Trump, a cada trumpalhada sua a democracia representativa se desmoraliza mais um pouco. Por isso, quando ele ganhou as eleições (que é diferente de ser eleito), desenhei o novo presidente dizendo Good Mourning, Democracy! Quem sabe que mourning é funeral, compreende porque o trocadilho me foi irresistível.

Mas destruir o Estado Norte Americano não é a mesma coisa que desacreditar a prefeitura municipal de Cambuquira, no meu querido Sul de Minas. A hegemonia norte-americana tem enormes reflexos em todo o mundo, por isso quando na grande capital a democracia é avacalhada não demora muito para os guardas da esquina de Cambuquira portarem suásticas se lhes der na telha.

Destruir a credibilidade da democracia é fundamental para desmontar tecnicamente quaisquer limites à expansão do capitalismo, como as conquistas incipientes de controle da poluição e do aquecimento do planeta. Empecilhos à liberdade (do capital, é claro), por menores que sejam, não são suportados pela extrema direita econômica. Para quem acha que estou reproduzindo uma teoria da conspiração, por favor, leia o livro de Nancy MacLean, Democracy in Chains , que revelou os documentos do grupo de intelectuais e bilionários que vem agindo para desestabilizar a democracia mundial, ou o comentário de 
Monbiot (ver aqui) no The Guardian.

Então, a exemplo do que aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando as elites financeiras de todo o mundo preferiam os nazistas aos comunistas até o último minuto antes que Hitler ultrapassasse os limites de seus interesses econômicos, se os biliardários que apoiam Trump puderem escolher entre os supremacistas brancos ou os defensores do ambiente, os pacifistas, os movimentos contra as armas e as guerras, os lutadores pela igualdade econômica, antifascistas de vários tons, feministas, grupos LGBT, negros, hum...

Como seu próprio nome diz [1], não há nada de errado com Trump: ele cumpre perfeitamente sua missão de empastelar o pouco de democracia que vinha sendo construído desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Seu terrorismo de direita é mais corrosivo para a tal civilização ocidental do que todos os ataques dos terroristas do estado islâmico, aliás jihadistas também formados pela desigualdade colonialista que se aproveitou das divergências étnicas e religiosas dos povos de todos os continentes para os explorar economicamente.

Um dia, conseguiremos examinar os circuitos cerebrais de Trump e descobriremos que são chips de inteligência artificial criados pelos banqueiros e pelos senhores da guerra. São feitos de uma mistura de chumbo, aço e dólares e movidos a carvão e petróleo.

Good morning, democracia. Acorda!






[1] TRUMP em inglês quer dizer: trunfo (jogo de cartas); to trump up: forjar, inventar, arquitetar; trumpery: asneira, tolice.

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